ESPETÁCULOS TEATRAIS

Pré-estreias de peças teatrais.

PESSOA

August 17, 2020

Andreato em Pessoa

Em parceria com a Morente Forte Produções Artísticas, o ator e dramaturgo Elias Andreato encena mais uma vez, em versão online, a peça Pessoa, na qual relembra a obra de Fernando Pessoa (1888 - 1935).

 

O monólogo é a primeira investida de Andreato no formato teatro online. Nele, o autor analisa a obra do célebre poeta português, como uma espécie de tratado sobre a delicadeza humana.

Relembrar os clássicos "heterônimos" (personalidades distintas presentes num mesmo indivíduo) de Pessoa é, sem dúvida, uma bela forma de análise e também constatação quanto à riqueza e originalidade de sua obra literária.

O formato cênico e dramatúrgico de Pessoa remete a outros "solos" de Andreato, como Van Gogh (1993) e Arap (2019), por exemplo.

Realizar um monólogo, sobretudo em versão online, é tarefa pra poucos. Pois, apesar da curto tempo de duração  da peça, não fosse pela experiência e desenvoltura cênica de Andreato, o texto por si só poderia soar pesado. Mas aqui o ator e dramaturgo dribla com facilidade as limitações típicas do formato.

Em poucas palavras, o que temos como resultado em Pessoa é mesmo uma bela homenagem ao precursor do Modernismo literário português: Fernando Pessoa.

Em breve, novas apresentações de Pessoa, estarão disponíveis no site da Sympla www.sympla.com.br/pessoa

ANTÔNIO - DA TUA TÃO NECESSÁRIA POESIA

August 05, 2020

Teatro de poesia

por Ricardo Corsetti

Na última segunda-feira (03/08), em parceria com a Morente Forte Produções Artísticas, a atriz e diretora Clarisse Abujamra, voltou a encenar (em versão online) a peça Antônio - Da Tua Tão Necessária Poesia.

 

 

O monólogo que reúne poesia, música e dança, além de obviamente fazer uma bela homenagem ao grande ator, dramaturgo e apresentador, Antônio Abujamra (do qual Clarisse é sobrinha), fala também sobre os muitos Antônios que passaram por sua vida.

Acompanhada por Ivan Abujamra Filho ao piano, Clarisse utiliza os poemas de Arnaldo Antunes, João Cabral de Melo Neto, Bertold Brecht, Garcia Lorca, Fernando Pessoa e outros grandes nomes da literatura, para falar indiretamente sobre sua relação com o bailarino Antônio Gades (por quem foi apaixonada) e também com o ator Antônio Fagundes, com o qual foi casada e tem um filho também chamado Antônio.

A experiência cênica de Clarisse, bem como a duração "enxuta" da peça (apenas uma hora), colaboram muito no sentido de evitar que o formato monólogo de torne cansativo.

Este formato, inclusive, com sua quase total ausência de cenografia, combina perfeitamente com o conceito de teatro online, que se tornou uma inevitável necessidade em tempos de pandemia e consequente distanciamento social.

Ainda assim, é também fato que prender a atenção do público apenas com uma atriz em cena (apesar da qualidade dos textos encenados) é mesmo tarefa para poucos. Mas Clarisse Abujamra dá mesmo conta do recado.

ARAP

March 02, 2020

Uma justa e comovente homenagem

por Beto Besant

Fauzi Arap (1938 - 2013) começou sua carreira como ator, mas foi na direção e dramaturgia que se consagrou. Seu intenso trabalho com a cantora Maria Bethânia trouxe o jovem Elias Andreato, que começou como seu assistente de direção e com o tempo sagrou-se um dos maiores atores e diretores do teatro nacional.

Após a morte de Arap, sua família entregou todos os seus escritos ao seu amigo, que fez uma compilação e escreveu o texto do monólogo Arap. Além disso, Andreato dirige e atua no espetáculo.

Definido por ele mesmo como uma declaração de amor ao teatro, Arap apresenta um personagem imaginário que vive a transição público - ator - diretor. Com todas as angústias e inseguranças que cada um deles vive.

O belíssimo texto leva quem é da área a uma profunda reflexão sobre vocação, talento e dedicação, ao mesmo tempo que se comunica com quem não é do meio artístico ao mostrar o eterno teste de vocação e resiliência que é se dedicar à arte.

Com um texto poético e filosófico, Arap tem um cenário minimalista: apenas uma cadeira. O figurino vai na mesma linha, calça e camisa brancas que, aos poucos, se converte numa espécie de camisa de força que ajuda a dar dramaticidade ao emocionante desfecho.

Andreato apresenta o espetáculo solo com muita propriedade, oscilando do humor à introspecção de forma fluida e natural. Não por acaso tornou-se um dos maiores expoentes do teatro brasileiro. Curiosamente, tamanho talento e reconhecimento teatral não fizeram com que fosse descoberto pelo cinema da maneira que merece.

A trilha-sonora original, delicada e que surge apenas em momentos pontuais, é assinada por Raphael Gama.

Um belíssimo espetáculo que, graças á sua simplicidade e praticidade, permite que o ator e diretor volte a apresentar sempre que há uma brecha em sua agenda. Indicadíssimo a estudantes de artes em geral.

SERVIÇO

Teatro Eva Herz

Avenida Paulista, 2073 – Bela Vista - São Paulo

Sábado às 17h

Ingressos: R$40,00

Classificação Indicativa: 12 anos

Até dia 28 de março

A VERDADE

January 24, 2020

A Verdade de Diogo VIlela

por Beto Besant

Poucos são os artistas brasileiros que puderam fazer suas carreiras calcadas no teatro. Dentre eles está Diogo Vilela.

Cada novo espetáculo que anuncia sua presença já é automaticamente carregado de belas expectativas. E não foi diferente quando foi divulgada sua nova montagem: A Mentira.

Na trama, Diogo é um homem casado com Bia Nunnes e amante de Carolina Gonzalez, que é casada com Paulo Trajano, o melhor amigo do protagonista. O mulherengo da história precisa se desdobrar para não levantar suspeita com nenhum dos outros e aos poucos vai percebendo que, se tem alguém que não sabe de nada, é ele próprio. 

Dirigida pelo experiente Marcus Alvisi, A Mentira foi escrita pelo dramaturgo francês Florian Zeller. É um texto instigante e muito inteligente, que vai costurando cada palavra como uma colcha de retalhos, e Diogo Vilela apropria-se de cada fala com absoluta propriedade.

Se podemos dizer que a peça tem algum defeito, este está na forma não-naturalista escolhida pela direção. Com a presença cada vez mais constante do cinema e da TV nas nossas vidas - ainda mais em tempos em que os VOD's estão substituindo a televisão -, nos acostumamos cada vez mais com um linguajar natural e realista, e soa estranho ouvir os diálogos tão "teatrais" deste espetáculo. Também é estranho os personagens falarem sobre viagens a cidades francesas, só aí que entendemos que a história se passa na França. Este ponto também seria melhor se adaptado ao Brasil.

Com um cenário econômico assinado por Ronald Teixeira e Guilherme Reis, o palco é ocupado uma cama de casal central (quarto dos amantes), ao lado direito um balcão e duas cadeiras (casa do casal principal), à esquerda uma mesa (escritório da amante do protagonista), à frente um banco e um armário (vestiário dos amigos) e centralizado à frente um banco (casa do segundo casal). O espetáculo é uma espécie de vaudeville, onde a cada cena um espaço diferente é ocupado.

A Verdade estreou no Rio de Janeiro, depois foi para Minas Gerais e interior de São Paulo,. chegando agora à capital paulista.

O texto ganhou o Prêmio Laurence Olivier 2017 de Melhor Comédia, em Londres, e atualmente tem montagens de sucesso por 13 países.

SERVIÇO

Teatro Vivo

Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi - São Paulo

Sexta às 20h, sábado às 21h e domingo às 18h

Ingressos: R$80,00 e R$90,00) 

Classificação Indicativa: 12 anos

MUSICAL DONA IVONE LARA - UM SORRISO NEGRO

January 01, 2020

Recriando um ícone

por Ricardo Corsetti

 

Em Dona Ivone Lara - O Musical, peça produzida por Jô Santana (Cartola - O Musical, 2017) e dirigida por Elísio Lopes Jr. (Viagens da Caixa Mágica, 2017), em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso desde 29/08, vemos uma autêntica recriação de um ícone da música e cultura popular brasileira, a compositora e cantora carioca Yvonne Lara da Costa, mais conhecida como Dona Ivone Lara. 

Para viverem no teatro esta autêntica encarnação do samba carioca, ao longo de sua longa trajetória artística e pessoal que vai desde sua juventude no início dos anos 60 até meados dos anos 80, fase de sua consagração artística, foram escaladas três atrizes: a jovem estreante Di Ribeiro, Heloísa Jorge (Caixa de Baobá, 2017, curta-metragem) e Fernanda Jacob (Pentes, 2017, espetáculo musical).

 

Apesar de contar com um competente trabalho de cenografia e iluminação em termos gerais, embora possua momentos inspirados, capazes de emocionar até mesmo o mais desinformado dos espectadores acerca de quem foi Ivone Lara; é fato também que determinadas sequências não funcionam tão bem quanto deveriam ou até poderiam, pois o humor que se tenta imprimir em diversos momentos da peça raramente funciona, soando artificial já que é evidente o esforço que os atores fazem no sentido de tentarem arrancar o riso dos espectadores a qualquer custo em vez de permitirem que tais situações de fato soem engraçadas por si só.

 

Quanto às canções compostas por Ivone Lara e selecionadas para os números musicais que permeiam a peça, Sonho Meu, Sorriso Negro, A Cigana, etc; é absolutamente inegável que já fazem parte da memória afetiva de qualquer brasileiro que possua no mínimo 40 anos. 

Entre erros e acertos, Dona Ivone Lara - O Musical, no mínimo, cumpre bem sua função no sentido de fazer justiça ao talento de uma mulher à frente de seu tempo, tanto no plano profissional quanto pessoal que, conforme ele mesmo costumava dizer, jamais aceitava que alguém lhe dissesse qual deveria ser o seu lugar.

SERVIÇO

Teatro Sérgio Cardoso

Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista - São Paulo

Quinta, sexta e sábado às 20h

Domingo às 17h (de R$20,00 a R$75,00) 

Classificação Indicativa: 12 anos

​A ESCOLA DE ROCK - O Musical

August 15, 2019

É de encher os olhos!

por Jhuliano Castilho
 

Baseado no filme homônimo de 2003, o moderno espetáculo escrito por Mike Whiteem e estrelado por Jack Black, chegou à Broadway em 2015, percorreu alguns países e desembarca no Brasil, sendo pela primeira vez falado no idioma local.

 

A história contada pelo musical, gira em torno de Dewey Finn, um roqueiro que após perder seu emprego numa loja de discos e ser demitido por sua própria banda decide se passar por seu amigo e colega de apartamento Ned Schneebly, um dedicado e tradicional professor, pra ter condições de continuar pagando seu aluguel.

 

Durante as aulas de canto na escola onde passa a lecionar no lugar do amigo, Dewey acaba descobrindo o potencial de seus alunos para a música e decide formar uma banda com eles

.

Buscando a alcançar a tão almejada fama e ao mesmo tempo se vingar de seus ex-colegas de banda pelos quais foi demitido, ele resolve inscrever seus alunos numa batalha de bandas.

 

Mas nós do "Luz, Câmera, Animação" fomos convidados para a Premiere e pudemos ver um grande espetáculo.

Sim, espetáculo é a palavra certa pra descrever a obra. Cenários grandiosos que são trocados a cada cena, hora descendo do teto, hora sendo empurrados pelas laterais ou saindo do chão e sendo erguidos por elevadores.

Um show de luzes, figurinos impecáveis e crianças talentosíssimas que dançam, cantam e tocam instrumentos com maestria, tudo realmente ao vivo.

Para encarnar o protagonista "rock n' roll" foi escolhido o ator Arthur Berges, que já havia participado de musicais como: Urinal, Rent e Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812.

Há uma real entrega do ator ao personagem que nos deixa maravilhados, não se limitando a ser uma mera cópia de Jack Black   (protagonista da versão cinematográfica), mas sim dando estilo próprio ao personagem.

Vivendo a diretora da escola, está a atriz Sara Sarres, que já estrelou grandes musicais, tais como as primeiras montagens de Le Misérables, Godspell e O Fantasma da Ópera, além de West Side Story e Shrek.

Dando vida a personagem Ned temos Cleto Baccic (Mamma Mia, Cats, A Madrinha Embriagada, O Homem de La Mancha, Annie), como par romântico de Thais Piza (We Will Rock You, Cinderella - O Musical da Broadway, Peter Pan - O Musical da Broadway).

Quanto ao elenco infantil, os alunos são representados (em alternância) por mais de 40 atores mirins, dando vida aos alunos. Obviamente, não vou listar todo esse maravilhoso elenco infantil, mas, sem dúvida, eles são os grandes responsáveis pelo grandioso espetáculo, com sua vozes afinadas e danças frenéticas, extremamente bem coreografadas por Philip Thomas.

Completam o elenco adulto, Tchello Gasparini (cover de Dewey), Jana Amorim (cover de Rosalie Mullins), Clarty Galvão, Keila Bueno, Laura Carolinah, Leilane Teles, Luciana Artusi...

 

Ao todo são 60 atores em cena e uma equipe composta por mais de 200 pessoas, responsáveis, nos bastidores, por fazer tudo funcionar com perfeição.

Com libreto de Julian Fellowes, letras de Glenn Slater, o musical tem versões assinadas por Mariana Elizabetsky e Victor Muletalher. Direção original de Laurence Connor, direção geral de Mariano Detry, direção associada de Floriano Nogueira e direção musical de Daniel Rocha.

SERVIÇO

Teatro Santander

Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 - Vila Nova Conceição - São Paulo

Quinta e sexta-Feira às 20:30, Sábado e Domingo às 15:00 e 18:30. (de R$ 37,50 a R$ 155) 

Classificação Livre

Até 1 de setembro

PIPPIN

July 19, 2019

Para quem gosta de musical é um prato cheio

por Beto Besant

Estreou na capital paulista o novo espetáculo da consagrada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, o musical Pippin. Encenado pela primeira vez na Broadway em 1972, Pippin foi o trampolim para que seu letrista Stephen Schwartz fizesse uma carreira de enorme sucesso, acumulando prêmios como Oscar, Grammy, Emmy e Tony, além de uma estrela no Hall of Fame. No início dos anos 70, o musical chamou atenção da crítica ao apresentar metalinguagem - teatro dentro do teatro - e acumulou cinco prêmios Tony.

Em sua 43ª parceria, Möeller e Botelho compraram os direitos da peça em 2013, ocasião em que foi feita uma nova montagem do espetáculo na Broadway. A peça conta a fábula de Pippin (João Felipe Saldanha), o jovem filho do rei Carlos Magno (Fernando Patau) que está em busca do real significado da vida. Na história, eles são uma trupe teatral conduzida e apresentada por Totia Meireles.

Com um belo cenário e figurinos caprichados, Pippin fez grande sucesso no Rio de Janeiro e chega em São Paulo desfalcado de alguns de seus grandes nomes, como Jonas Bloch, Nicete Bruno e Adriana Garambone. Com um texto que lembra muito ao clássico Hamlet (de Willian Shakespeare), a adaptação brasileira tenta associar a história à recente política brasileira visando a identificação do público, o que pode ser o segredo do sucesso. Particularmente, me pareceu um caminho fácil e cômodo, por vezes equivocado e caindo em clichês que mais lembram memes de internet.

Em certo momento, o rei diz: “O pôr do sol parece com o nascer do sol, mas é diferente”. Esta frase totalmente nonsense é um alívio cômico dos mais inspirados da peça e lembra muito os discursos vazios de uma ex-presidente da república.

Outro grande problema de Pippin é apelar - em alguns momentos - para palavrões. Um recurso que normalmente traz o riso fácil e gratuito. As letras das músicas são bem escritas, mas as melodias não são do tipo "chiclete", aquelas que ficamos cantarolando por dias a fio. O espetáculo é muito bonito, o elenco está bem, mas falta carisma. Os destaques positivos ficam para Fernando Patau, Totia Meireles e o menino Pedro Sousa, que interpreta Theo, o filho do segundo casamento do rei.

Sem dúvida, o grande destaque é a orquestra, que executa com maestria a sofisticada trilha-sonora da peça.

 

Confesso não ser chegado a musicais - seja no teatro ou cinema -, de todo jeito, me pareceu um espetáculo longo e enfadonho. Indicado apenas a quem goste muito do gênero.

SERVIÇO

Teatro Faap

Rua Alagoas, 903, Higienópolis (tel.: 3662-7233)

Sextas às 21h, sábados às 17h e 21h e domingos às 15h e 19h (de R$ 75 a R$ 120) 

Até 18 de agosto

AMOR PROFANO

October 17, 2018

A capital paulista recebe o novo espetáculo teatral da atriz Vivianne Pasmanter: o romance Amor Profano. Escrito por Motti Lerner e dirigido por Einat Falbel - ambos israelenses -, conta a história de Hannah (Pasmanter) e Zvi (Marcello Airoldi), que foi casado em Jerusalém, mas acabou se separando devido aos costumes nada ortodoxos dele - que recusa-se a manter a tradição judaica - ao contrário de Hannah, que segue os costumes com de forma sagrada. Um romance do filho dele com a filha dela os aproxima novamente, deixando claro rapidamente que o amor deles só estava adormecido.

O texto é muito interessante, pois consegue alternar momentos onde Zvi tenta se reaproximar de Hannah com momentos em que acontece o inverso. Não apresenta nenhuma novidade nem grande reviravolta, mas a peça flui de forma natural, cadenciada.

A direção é bastante delicada e acerta no tom de interpretação de Pasmanter, que inicia o espetáculo falando e se comportando com muita rispidez. Hannah não é capaz de olhar para Zvi e muito menos tocá-lo. Um simples objeto que tenha que passar às mãos dele é colocado sobre a mesa para evitar qualquer tipo de contato. Da mesma forma, seu tom de voz é ríspido e enérgico. Quase masculinizado. A boa interpretação da protagonista permite que sua mudança de postura perante Zvi flua de forma precisa e convincente. Airoldi também está muito bem apresentando uma interpretação contida, que faz com que o público acredite naquele amor sufocado.

A forma pouco naturalista com que os atores falam às vezes soa um pouco artificial - talvez devido ao fato da diretora não ser brasileira -, porém não compromete o envolvimento do público com a história.

O belo cenário apresenta a moradia da protagonista e depois é transformado para dar lugar ao apartamento de Zvi. Ao fundo há uma espécie de parede ou muro que passa a falsa impressão de que em algum momento os personagens irão até o Muro das Lamentações, o que não acontece. A cenografia ainda permite que o espetáculo inicie com a projeção de imagens das ruas de Jerusalém enquanto apresenta a ficha técnica, como num filme.

Não é um espetáculo inovador, nem tem grandes reviravoltas. É apenas uma bonita história de amor em conflito bem escrito, produzido e interpretado. É indicado mais para os amantes deste tipo de história.

OS VILÕES DE SHAKESPEARE

February 26, 2018

Uma visão realista dos maiores vilões da dramaturgia

por Beto Besant

Após uma série de apresentações no Rio de Janeiro e Curitiba, o ator Marcelo Serrado (Crô - o filme, 2013) trás à capital paulista seu monólogo Os Vilões de Shakespeare. Com experiência em dezenas de novelas, filmes e espetáculos teatrais, o ator ainda utiliza de sua verve debochada - desenvolvida com apresentações de Stand Up Comedy - para acentuar o texto ácido e contemporâneo.

Escrito e interpretado originalmente pelo dramaturgo inglês Steven Berkoff (O Turista, 2011) - no ano de 1998 -,  foi adaptado pelo poea, letrista, dramaturgo e roteirista Geraldo Carneiro, especialista em Shakespeare. A direção seria feita - originalmente - por José Wilker (1944 - 2014), que apresentou o texto a Serrado. Porém, com sua morte, ficou a cargo de Sergio Módena (Ricardo III).

No espetáculo, o ator é um conferencista que dá palestras sobre os famosos vilões. Com extrema desenvoltura, consegue alternar entre a interpretação de personagens densos e trágicos com o palestrante que os observa e comenta de fora da situação. A direção de Módena é competente e consegue a difícil façanha de apresentar um monólogo - sobre textos clássicos - de forma coloquial e descontraída, sem nunca, jamais, entediar o público.

O diretor utiliza de projeções de vídeos que ajudam a compor o simples cenário - uma mesinha e uma cadeira - onde são projetadas chamas, fumaças, fotos dos personagens e vídeos clássicos, como o do ator Laurence Olivier (1907 - 1989) - considerado o maior especialista no dramaturgo inglês - interpretando um de seus personagens.

Com muita desenvoltura, Serrado tem abertura para interagir com o público. O momento máximo é aquele onde os presentes são questionados sobre que sem seriam os atuais vilões da nossa sociedade.

Após a estreia, o ator e o diretor fizeram um bate-papo com o publico, onde revelaram que a forma popular de apresentar os personagens deve-se a que os espetáculos do dramaturgo inglês - tão sacralizados pela classe artística - originalmente eram populares e de grande sucesso.

Uma bela programação para conhecer mais os vilões de Shakespeare e ter uma real noção do talento de Marcelo Serrado. E que cabe, na medida certa, para que ele possa viajar o país e assim todos tenham acesso a este delicioso espetáculo.

SERVIÇO:

Teatro Eva Herz - Conjunto Nacional

Av. Paulista, 2073 - Bela Vista - São Paulo/SP
Sábados às 19h e 21h, domingos às 19h.
Até 29 de abril de 2018 - classificação: 12 anos

A VISITA DA VELHA SENHORA

January 31, 2018

Um belo espetáculo com ingressos gratuitos

por Beto Besant

A consagrada atriz Denise Fraga e seu marido, o diretor Luiz Villaça, apresentam voltam a São Paulo com o espetáculo A Visita da Velha Senhora.

A peça - escrita por Friederich Dürrenmatt (1921 - 1990) - conta a história da falida cidade de Güllen, cujos moradores aguardam a visita de Claire Zahanassian (Denise Fraga), uma mulher milionária que promete lhes tirar da miséria. Diz que irá doar um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank (Tuca Andrada), que lhe abandonou grávida na juventude em troca de um casamento de conveniência.

Escrita em 1955, não tem como escapar do "lugar comum" de quanto a peça e atual. Afinal, nada mais contemporâneo do que discutir a corrupção humana, o quanto as pessoas deixam seus princípios e se vendem ao verem a possibilidade de ganharem um bom dinheiro. Assim como não há nada mais atual do que corruptos que se colocam como vítimas e tentam inverter a situação de quem está errado.

O preparo vocal da protagonista é deslumbrante, em diversos momentos canta em estilo lírico. Além disso, consegue extrair o humor e ironia da situação - que também poderia ter sido apresentada como um drama - na medida certa. Com um elenco enorme - que além de Denise e Tuca tem mais dez atores - o grande destaque masculino é Ary França, que interpreta dois personagens simultaneamente. Sua concentração para não perder o texto é exigida ao extremo, como um ventríloco que precisa estar muito trainado para saber quando fazer sua própria voz e a do boneco.

A direção de Luiz Villaça tem o mérito de conseguir muito ritmo e interação com um elenco tão grande, prendendo a atenção do público, que fica apreensivo aguardando o desfecho de uma situação tão insólita como a narrada.

Uma excelente oportunidade de se assistir uma um belo espetáculo, com grandes atores, ótimo texto, numa produção esmerada, de forma gratuita. Infelizmente, em curtíssima temporada.

SERVIÇO:

Teatro do SESI

Av. Paulista, 1313 – Bela Vista - São Paulo/SP
Quartas a sábados às 20h e domingos às 19h
De 24 de janeiro a 18 de fevereiro de 2018

Entrada gratuita
Reservas antecipadas de ingressos online pelo portal www.sesisp.org.br/meu-sesi
Para apresentações entre dias 1º e 15, reservas divulgadas na internet a partir do dia 25 do mês anterior.
Para apresentações entre dias 16 e 31, reservas divulgadas na internet a partir do dia 10 do mesmo mês.

Ingressos remanescentes são distribuídos por sessão, no dia do espetáculo, a partir do horário de abertura da bilheteria (quarta a sábado, das 13h às 20h; domingo, das 11h às 20h).

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