ÓRFÃ 2: A ORIGEM (Orphan: First Kill)


QUANDO FUROS DE ROTEIRO ACABAM RENDENDO UM FILME DIVERTIDÍSSIMO

por Ricardo Corsetti É fato que Órfã 2 tem recebido, em sua maioria, críticas bastante negativas. Mas eu, particularmente, me arrisco a dizer que boa dessas pesadas críticas se devem ao fato de que os espectadores, não familiarizados com o gênero, desconhecem o humor muito peculiar que quase sempre (por mais estranho que isso possa parecer) permeiam as tramas de horror, desde pelo menos, o final dos anos 60.

Alguns clássicos absolutos do gênero, tais como: A Dança dos Vampiros (Roman Polanski, 1968) e Um Lobisomem Americano em Londres (John Landis, 1981), por exemplo, já demostraram o quanto a combinação de horror com pitadas de humor pode render grandes filmes. Não que Órfã 2 seja propriamente um grande filme. Aliás, longe, bem longe disso. Mas é justamente a grande quantidade de furos de roteiro e a overdose de situações extremamente inverossímeis que, paradoxalmente, o tornam tão divertido. Tanto que só não vou descrever claramente aqui algumas dessas situações, justamente para não estragar a surpresa (e, portanto, a diversão) de quem for assisti-lo nos próximos dias.

Outro ponto alto de Órfã 2 é a presença da ótima Julia Stiles. Sim, a eterna estrela juvenil de Dez Coisas que Eu Odeio em Você (Gil Junger, 1999), vivendo uma personagem de destaque na trama. Destaque absoluto para a cena em que a protagonista rouba um carro e dirige ao som de She's a Maniac, o tema de abertura de Flashdance (Adrian Lyne, 1983).

Eis a prova definitiva de que o diretor William Brent Bell (Boneco do Mal, 2016) sabe mesmo trabalhar bem com referências clássicas. Visto que, inclusive, há muitas referências ao subgênero Slasher (terror juvenil com muito sangue) ao longo desta trama. E como já frisei desde o início desta crítica, basta ter muito senso de humor para se divertir, e muito, com os deliciosos furos e absurdos que caracterizam o desenvolvimento do roteiro de Órfã 2.