Coletiva de Imprensa: CRÔ - O FILME

por Beto Besant


Crô, o personagem Clodoaldo Valério (Marcelo Serrado) da novela Fina Estampa (TV Globo - 2012/13) que enriqueceu no final do folhetim, com a herança deixada pela sua patroa (Cristiane Torloni). Com isso contrata o antigo mordomo Baltazar (Alexandre Nero) e a governanta Marilda (Katia Moraes).


O novo rico cansa de sua vida tediosa e se lança como cantor, monta um salão de beleza e uma grife de roupas, mas nada dá certo. Certo dia sonha com sua mãe (interpretada por Ivete Sangalo) e decide voltar a ser mordomo porque acredita que seu destino é servir.


Anuncia uma "seleção" para encontrar sua patroa e acaba conhecendo Vanusa (Carolina Ferraz), dona de tecelagem que explora imigrantes bolivianas junto com seu marido Riquelme (Milhen Cortaz).


Crô acaba por descobrir a forma desumana com que as funcionárias são tratadas e dá uma de James Bond pra salvar as bolivianas, dentre elas uma menina de cerca de dez anos.

Escrito por Agnaldo Silva, o autor de novelas com os maiores índices de audiência, Crô - O Filme é uma tentativa rasteira de fazer dinheiro rápido unindo a atual moda de comédias brasileiras com um personagem de grande sucesso nacional a partir da telenovela.


O filme é uma sucessão de erros. Do roteiro, que tenta ser engraçado a todo custo mas está muito longe disso. Na desculpa de se fazer um "humor popular" parte-se pra um humor apelativo e estereotipado. O protagonista encarna o gay de programas populares, afetado e fútil, seu mordomo o homofóbico. A dona da tecelagem a nova-rica fútil que quer fama e dinheiro, e seu marido o latino violento e sem escrúpulos. E pra piorar, um filme que se pretende ser diversão pra família toda, tem uma morte que sai totalmente dos padrões do gênero.


Com estes personagens, o bom elenco não tinha o que fazer, a não ser representá-los da forma mais digna possível.


E pra piorar, a direção do experiente Bruno Barreto (Flores Raras, Dona Flor e Seus Dois Maridos, entre outros) só reforça as limitações do roteiro, repetindo à exaustão bordões bobos que não agradariam nem a uma criança. Outro erro - se é que isso seria possível, é um filme que, fadado a ter muitos rostos "televisivos", ainda completar seu elenco com nomes como Ivete Sangalo, Ana Maria Braga e Gaby Amarantos. Nada mais oportunista.


No último dia 13 de novembro, ocorreu em São Paulo a Coletiva de Imprensa para a divulgação do filme.

A produtora Paula Barreto disse que fez o filme sem dinheiro de incentivo fiscal, pois queria lançar o filme pouco tempo após o final da novela. Por isso, o filme foi financiado por: Telecine, Paris Filmes, Downtown e LC Barreto, num total de cinco milhões e duzentos mil reais e lançamento em 400 salas de cinema.


Barreto conta que recebeu o convite de Marcelo Serrado para dirigir o filme, pois gostava do personagem, considerando-o uma espécie de Jerry Lewis.


É o típico filme-titanic, que tudo tem grife, roteirista, diretor, elenco e personagem, e o resultado é catastrófico. Pode até dar uma boa bilheteria, uma vez que quantidade não é sinônimo de qualidade, porém a única coisa que desejo é que Jerry Lewis não esteja se revirando em seu túmulo com tal comparação.

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