Festival É TUDO VERDADE: O Futebol


Boa premissa, porém mal executada

Futebol é uma coisa que une os povos e pode fazer mesmo com famílias, criando laços fortes principalmente no Brasil e todo brasileiro sabe disso. Ver isso sendo explorado no filme O Futebol é promissor, pois possui um ângulo incomum para esse universo, prometendo ser incisivo neste assunto: pessoas e futebol. Contudo, isso não foi entregue.


Durante a Copa do Mundo de 2014, um filho que ficou anos separado do pai pede para passar a o período esportivo em sua companhia, e vemos o desenrolar da narrativa por este parâmetro interessante.

A ideia do diretor Sergio Oksman é fantástica: montar um paralelo entre pai e filho durante a "montanha russa de emoções" dos jogos, principalmente para quem ama a arte da bola nos pés. Saber os nomes dos jogadores é quase uma religião, e isso os personagens sabem. O filme consegue passar a veracidade que a câmera procura, é difícil contestar essa beleza singular e primitiva - quase um documentário - que se o fosse seria ótimo, mas não é.

A câmera coloca-se como um terceiro personagem, o problema é que se esquece de formar laços com o público, deixando a trama proposta inicialmente de lado, o que deixa o filme chato. Nada acontece. A câmera que tinha a beleza singular se perde neste brilho desleixado, câmera parada, às vezes tenta dar o ar de cinema da Boca do Lixo, mas "sem vida" ou acontecimentos que desafiam o espectador.

A premissa se perde em cenas coladas, deixando clara a falta de contexto. Filmes podem ter um ritmo próprio, contudo precisam de contexto. Caso a proposta seja um falso documentário, que se assuma e explore isso.


O Futebol não explora as possibilidades que ele mesmo apresenta, nunca existe um conflito forte entre pai e filho, apenas uma aura de monotonia onde poderia funcionar se o protagonista conquistasse o público.

A direção parece deslocada, não entendendo as sutilezas da atuação. O fracasso de criar um caos no cotidiano - em paralelo ao futebol - chega a ser triste pelas as razões erradas. Câmeras estáticas tentam simular um documentário sem grande sucesso, pois o ritmo lento prejudica a narração.


Este fator tira toda a imersão do público durante a projeção, mesmo tendo uma história bonita para se contar, que deveria ser mais íntima para nós do que para outros, afinal, aqui é a terra do futebol.

Justo dizer que o filme mantém - para os mais corajosos - um certo interesse pelo roteiro que tende a explorar as dificuldades do relacionamento humano. Entretanto, como não atinge seu objetivo, tudo mais se perde.


O Futebol poderia quebrar paradigmas e se comunicar com o público, porém, o que se tem é uma proposta desleixada, sem vida e sem personalidade, é quase como se fosse como um jogador de futebol que não queria jogar e foi obrigado. Como diria o personagem mexicano Chaves: "Valeria mais ter ido ver o filme do Pelé".

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