RALÉ


Uma viagem xamânica e libertadora, mas pouco convincente

Ralé (2015) pode não ser um filme para todos os públicos, mas ao menos tenta despertar um olhar diferente no espectador. É como se fossemos convidados pela diretora Helena Ignez a adentrar em uma sociedade alternativa regada a pensamentos libertários, experiências alucinógenas e transgressão. O problema, entretanto, é que o discurso se perde algumas vezes e as interpretações nem sempre convencem.


Em sua terceira participação em um filme de Helena, Ney Matogrosso dá vida ao Barão, líder de uma seita religiosa que tem como base a crença nas propriedades xamânicas da ayahuasca. Além do cantor, estão presentes Mário Bortolotto, Zé Celso Martinez Correa e Djin Sganzerla – filha da diretora. Tendo como locação a Fazenda Serrinha - em Bragança Paulista - e pegando emprestados alguns conceitos da peça homônima do russo Máximo Gorki, Ralé mistura documentário, metalinguagem e musical.


Logo no início, o público é avisado que a intenção não é uma narrativa tradicional, mas sim uma emolduramento de vários fragmentos em uma única história. Assim, a viagem começa com um casal que participa do filme “A Exibicionista” que, por coincidência ou não, está sendo rodado na fazenda do Barão. A partir daí as cenas se alternam entre entrevistas com as pessoas que foram influenciadas pelo guru, seu casamento e uma série de discursos sobre o índio, o feminismo, as drogas e a liberdade.


A trilha musical é quase sempre encenada no palco – lugar onde Ney realmente brilha. Quanto à atuação dos atores que rodeiam o Barão, nem todos conseguem “vender a ideia”. A própria Exibicionista (Simone Spoladore) – que sempre é apresentada ao lado de um espelho – não demonstra acreditar em seu discurso. Já Ignez mistura realidade e ficção ao apresentar a reunião entre Matogrosso e Zé Celso como um “encontro de titãs”.

Talvez a dificuldade de Ralé seja querer abordar assuntos polêmicos, mas sem realmente debatê-los ou aprofundá-los. Infelizmente, é como se a vida libertária só fosse possível dentro da floresta e das experiências hippies do Santo Daime, entretanto, é inegável que Helena foi ousada ao tocar em diversas feridas e adotar uma narrativa incomum.


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