A FRENTE FRIA QUE A CHUVA TRÁS


Volta do cinema de raiz


Neville d'Almeida foi o diretor transgressor, que deu vida ao A Dama do Lotação (1978) - um sucesso do cinema marginal - ficou afastado por anos até voltar com o A Frente Fria que a Chuva Traz (2016).


Alison e um grupo de jovens ricos alugam com frequência uma casa na favela para dar festas, inundadas com drogas e bebidas, causando conflitos com o dono e os habitantes do local e trazendo à tona a hipocrisia de todas as classes sociais. A Frente Fria que a Chuva Traz representa não só a volta do diretor Neville d'Almeida ao mundo do cinema, mas também a volta do cinema marginal, que usava tinha como característica chocar as pessoas, usando isso para fazer críticas à sociedade. Em A Dama do Lotação fez isso, onde Nelson Rodrigues (1912 - 1980) disseca A vida como ela é sem pudor ou moral, no entanto isso não acontece com a mesma facilidade no texto de Mário Bortolotto, trazido direto da peça de teatro.

Os atores têm um controle delicado da interpretação, sabendo bem o simbolismo de cada ação transportada para a tela, às vezes sendo poéticas com os acontecimentos angustiantes, refletindo não só uma juventude triste e vazia, mas uma sociedade que anseia por algo que não está lá.

Politicamente incorreto assumido para o cinema de hoje, usa e abusa dessa fórmula do cinema marginal para chocar e refletir, porém essa é sua maior falha, subestima seu público persistindo na repetição, nunca deixando o texto do teatro ganhar as asas do cinema, transformando-o num filme previsível.

Mesmo com problemas, é inegável o talento de Neville. Que faça mais filmes trazendo nova vida para a o gênero marginal e que inspire novos cineastas a fazer o mesmo.


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