A ODISSEIA DE ALICE (L'odyssée d'Alice)


Odisseia de pensamentos

Relacionamentos são complicados, nos justificam como sociedade, tanto afetiva quanto profissional, contudo é extremamente difícil lidar com outra pessoa. A Odisseia de Alice usa o decorrer da sua trama para estudar os relacionamentos humanos. Alice (Ariane Labed) se despede do namorado Felix (Anders Danielsen Lie) para trabalhar em um navio cargueiro, no qual é muito competente, porém ela encontra um antigo amor, criando um conflito se deve ou não voltar a velhos desejos, mesmo tendo alguém a sua espera.


O nome do filme brinca não só com a história grega de Odisseu como também o livro infantil Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol (1832 - 1898). Refletido na jornada da protagonista - cujo o objetivo é dissecar o relacionamento humano - consegue fazer isso de forma muito competente, abrangendo o status de gênero e o isolamento do indivíduo dentro da sociedade.



O longa-metragem se desdobra em simbolismo, como a personagem principal retratada várias vezes durante o filme como uma sereia da mitologia. Até mesmo enfrenta atos semelhantes ao herói grego: enfrentando um ciclope - personagem que tem uma visão única sobre as coisas -, recheado de misoginia. Fora isso, ela é vista igualmente por qualquer um dentro do navio, dando uma arejada no desenvolvimento dos personagens, bem retratado na química dos atores.

Durante o filme, Alice fica perdida em seus pensamentos, atrás de um coelho branco simbólico, questionando se o que faz é correto. Inicia o filme cheia de moralidade, que vai esvaindo conforme o estudo sobre o relacionamento ganha destaque, tendo que lidar com as escolhas feitas. Mérito do roteiro escrito pela diretora estreante Lucie Borleteau, que sabe dar vida ao discurso transporto em tela, dando à protagonista autonomia completa sobre a sua vida, carreira e corpo, dizendo que mesmo sendo autossuficiente, se encontra perdida em um mar de pensamentos.


O ritmo do filme às vezes se perde, fazendo a jornada ficar cansativa. Contudo, A Odisseia de Alice é um olha minucioso, não só sobre a mulher moderna, como também um retrato das nossas escolhas dentro da sociedade, que podia ir mais fundo no interior da personagem, levantando mais perguntas. Porém, o filme acaba por escolher ser ambíguo, pois a história não é sobre perseguir o coelho branco, mas sim saber o significado da perseguição do coelho branco, uma questão que só o público pode responder.


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