LA VANITÉ (idem)


La Vanitè uma obra para ver sob outro olhar

Abordar temas polêmicos - nem tão discutíveis - mesmo utilizando uma perspectiva de leveza é um percurso perigoso e difícil de ser conduzido, principalmente tratando-se de Eutanásia. Contudo, o diretor Lionel Baier (Garçon Stupide, 2004) faz uma analogia entre a perspectiva de vida da obra Les Ambassedeurs - de Hans Holbein - e do personagem central de La Vanité, resolvendo essa delicada questão com uma abordagem característica ao traçar caminhos que levam o espectador a apoiar ou enxergar a causa sob outro ângulo.

O drama transita em torno de um arquiteto aposentado (Patrick Lapp, de Nas ondas da revolução, 2013) que está com câncer terminal e a dama de companhia que irá efetuar o serviço em um quarto de hotel construído por ele mesmo a pedido de sua falecida mulher.

A caracterização de um hotel americano de beira de estrada falido nos remete a esquecer por vezes que o filme é realizado na Suíça, graças à belíssima direção de arte e reconstituição de época.


Dúvidas inerentes das reações que o paciente terminal demonstra em discussões e questionamentos são leves e carregam um certo humor negro que dissolve esse assunto tão delicado.


Cutucar um vespeiro é a situação lidada com maestria por Lionel Baier, que abre um leque de possibilidades da sensibilidade humana sem tirar o foco do tema principal. Ainda trás à tona sutilezas como aborto, ilegalidade, homoafetividade e a prostituição de um modo abrangente, rápido e impactante. A dama de companhia Esperanza (Carmen Maura, de Volver, 2006) remete ao esteticismo espanhol do cineasta Pedro Almodóvar e também nos inebria com a visão de outro mundo.

La Vanité não é sobre o repensar da vida nem tampouco um filme de prós e contras do suicídio assistido, mas uma obra de arte que excede a original de Hans Holbien.

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