A INCRÍVEL JORNADA DE JAQUELINE (La vache)


Uma fábula contagiante

Nunca sei o que vou sentir vendo um filme como A Incrível Jornada de Jacqueline. Apesar de sempre esperar o melhor, é difícil saber se o conteúdo vai conseguir me conquistar, então imagine minha surpresa quando me peguei rindo das coisas mais inusitadas, me divertindo de um jeito que não me divirto há tempos.


Fatah (Fatsah Bouyahmed) tem um sonho de participar - junto com sua vaca Jaqueline - de uma grande feira de agricultura em Paris. Quando finalmente recebe o convite para participar, percorre parte da França - encontrando aventuras - na tentativa de realizar o sonho.


Quando a projeção começa fica definido de que estamos vendo uma fábula, não no significado literal, mas com um ponto de vista inocente do nosso mundo cinza. É tudo claro, colorido, convidativo para o espectador, criando uma simpatia imediata por Fatah e sua Jaqueline.


A interpretação de Bouyahmed (Viva a França, 2013) possui um tempo cômico ótimo. Consegue ser muito simpático, passando a simplicidade de um azarão comum. Chega a ser fácil "comprar" a motivação dos personagens, a veia humorística é levada em todo o longa-metragem formando uma química dos personagens contagiante. Apesar da fábula ser clara, não é complicado sentir que esses personagens poderiam existir no mundo real, todos os núcleos seguem a mesma filosofia para arrancar risadas e emoções.

O problema fica no roteiro escrito pelo protagonista junto com o diretor estreante Mohamed Hamidi, que possui boas intenções. Martelando constantemente a mensagem - algo que prejudica o ritmo do filme e tira um pouco da empatia criada pelos personagens - foca demais no caminho e não em lapidar a história, caindo direto em clichês hollywoodianos.


Tudo é muito fácil para os personagens, nada é merecido de fato. Tirando parte da dramaticidade do enredo, perde um pouco da credibilidade construída com o desenvolvimento da trama, as soluções são entregues rápido demais e não parecem merecer o desfecho necessário.


Os autores sabem compor a história, sempre prezando pela diversidade de etnias, dizendo que são as diferenças que nos ajudam a ultrapassar barreiras. É um suspiro de alívio que tal obra esteja nos cinemas, principalmente em um momento em que a xenofoia é gritante em todos os países.

Ver um filme que aborda o tema com leveza e carinho é refrescante. Apesar de ter problemas não chega a ser um desastre. Não é um clássico do cinema moderno, mas se você der uma chance é bem capaz que se apaixone por Jaqueline.

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