ESQUADRÃO SUICIDA (Suicide Squad)


Uma fantasia cosplay em forma de filme

Esquadrão Suicida talvez reflita o gosto raso profundidade do novo público “jovem”, ávido por vilões diferentões saídos de games. É cult ser pop, colorido, geek e estiloso ir ao cinema com seu All Star e calças rasgadas, fazer selfies com um fundo repleto de explosão de cores de merchandising e pensar no look do seu malvado favorito para a próxima balada.


Ah, já sei! A Arlequina (Margot Robbie) ganha disparada por conta do chiclete desbocado e do bastão-encosto-de-ombros. Acertei? Pfff! É constrangedor assistir a tantas interpretações vazias (minto, na verdade são memes), cores de chiclete vencido, risadas forçadas, vozes eletrônicas cavernosas e efeitos especiais inspirados nos clipes do Evanescence.


Heath Ledger e Christian Bale - respectivamente Coringa e Batman em Batman, o Cavaleiro das Trevas (2008) - fazem falta. Dirigido por David Ayer (Corações de Ferro, 2014), o longa tem início a partir da última cena do filme Batman vs Superman (Zack Snyder, 2016), trazendo um grupo de “temidos criminosos” - pelo menos é o que consta no roteiro, não na interpretação dos atores, estereotipada e sem personalidade - recrutados pela carrancuda agente do governo, Amanda Walles (Viola Davis, a única que consegue convencer em seu papel) para defenderem os Estados Unidos de seu maior inimigo.

Todo o simulacro, burburinho e curiosidades acerca do novo Coringa de Jared Leto (Clube de Compras Dallas, 2013) - que tem apenas quinze minutos de fama e não diz a que veio - foi mais um desfoque feio dado pela direção, pintando o joker como um boneco de cera, saído de uma audição de crossplays; pior, desrespeitando a memória de Heath Ledger, incomparável e único a encontrar o correto tom do complexo personagem.


O que presenciamos ao longo das duas horas e dez minutos é um 3D tedioso, desnecessário, planos pobres de criatividade, cortes que parecem ter saído de uma novela (com destaque para o vomitado e inverossímil primeiro ato da narrativa) e uma sequência de retalhos de cenas desconexas e costuradas pelo montador John Gilroy (O Abutre, 2014), que recorre a uma trilha de rock ilustrativa e sem função dietética alguma, embalada por sucessos do Queen, Twenty One Pilots, Panic! At The Disco, dentre outros.


O que mais chama a atenção neste longa pavoroso é que ele não se sustenta na interpretação dos atores - todas medíocres, apesar de Will Smith se esforçar em dar profundidade ao seu Pistoleiro, não há história pra contar -, e sim no sucesso da HQ, que definitivamente, aqui não encontrou equivalência de forma nas telas do cinema – assim como o calejado Quarteto Fantástico.


Esquadrão Suicida vai bem de bilheteria porque é mais fetiche do que filme, todo mundo quer brincar e causar de vilão no mundo virtual, usar carinhas pintadinhas de emojis do Snapchat, contanto que isso não implique em ser profundo na vida real.