CONEXÃO ESCOBAR (The Infiltrator)


Quando a realidade é mais excitante que a ficção

Bryan Cranston (Argo, 2012) é um ator que depois da série Breaking Bad (2012), pode escolher seus próprios trabalhos, como o "blockbuster" Godzilla (Gareth Edwards, 2014), e até um drama baseado em fatos reais como Trumbo: Na Lista Negra (Jay Roach, 2015), mostrando o quanto versátil pode ser. Isso se prova novamente com Conexão Escobar.


Aproveitando a "onda" de filmes e séries sobre o Cartel de Medelín, o longa aborda a vida de Robert Mazur, um policial infiltrado fingindo ser um mafioso que lava dinheiro para a máfia, podendo ser pego a qualquer momento, criando a tensão entre a sua família real e o mundo de mentiras em que se encontra.


O diretor Brad Furman (O Poder e a Lei, 2011) aposta no talento de Cranston. Uma escolha acertada, pois o protagonista consegue levar o filme "nas costas", o elenco o segue de perto fazendo um ótimo trabalho. A montagem de Jeff McEvoy (Aposta Máxima, 2013) erra no ritmo do filme, que se segue atrapalhado e lento, e a roteirista estreante Ellen Brown Furman esquece-se de desenvolver os personagens.

O lado realista fica diluído se comparado com o universo cinematográfico existente, o diretor não consegue potencializar o acontecimento das tramas - apesar do roteiro bem amarrado -, nunca explora a psique dos policiais infiltrados no cartel, parecendo um bolo sem recheio, apenas com a cobertura.


A cor exagerada da fotografia do estreante Joshua Reis incomoda, saturam muito a imagem e parecem ser feitas para outro filme. Tentam dar estilo ao mundo de Conexão Escobar. Contudo, a trama é muito interessante, conhecer o outro lado da lei, ter a visão dos policias.


O filme mantém bem essa dúvida se o protagonista viraria bandido a qualquer hora, pois Cranston convence muito no papel, em certa hora você acredita que ele é um mafioso e na outra vê um simples homem de família, com isso o filme consegue prender a atenção.


Conexão Escobar merece ser visto. Não é o melhor trabalho dos envolvidos, porém é uma ótima afirmação de que são talentosos, contudo esperava-se mais dessa equipe - responsável por belos filmes - mesmo assim é um longa-metragem interessante.