BELAS FAMÍLIAS (Belles familles)


Parece faltar o tempero francês

Dramas familiares existem aos montes, todos os idiomas já fizeram de tudo que era possível com essa trama, alguns com êxito, outros não tiveram tanta sorte. Apesar de ser comum, continua sendo um enredo intrigante e atual, pois quem nunca teve problemas familiares? Juntando isso com um tempero francês, pode ajudar a quebrar os clichês que rondam uma história como essa.


Jérôme Varenne (Matieu Amalric) vive há dez anos na China após deixar a França em uma viagem de negócios ao lado de sua noiva (Gemma Chan). Ele decide visitar sua mãe (Nicole Garcia) e o irmão (Guillaumme de Tonquédec), descobrindo que sua casa de infância é objeto de uma disputa judicial, em que a segunda mulher (Claude Perron) de seu pai (Karin Vlard) alega que a residência seria dela. Jérôme decide resolver o caso, mas ao conhecer Louise (Marine Vacth) acaba se apaixonando, mesmo ela sendo a rival da sua mãe.


Uma história como essa você já deve ter ouvido, visto, quem sabe vivido. Retornar ao lar e lidar com problemas familiares acontece com todas as pessoas. Então seria esperado o tempero francês apimentar um enredo como esse, contudo o filme nunca tenta correr riscos, tem até momentos de humor, por isso perde um pouco da sua proposta dramática.

A história coloca muitos personagens que não acrescentam nada à trama. Outro problema do roteiro - escrito pelo diretor Jean-Paul Rappeneau (Viagem do Coração, 2003) - é que muitos personagens custam tempo para desenvolvê-los, isso pode tirar o foco do enredo principal, apesar de que você pode criar quantos personagens quiser dentro de uma historia, mas precisam ter significado. Nessa película alguns são tão irrelevantes que somem após a metade do segundo ato.


Existem momentos de ternura exaltante em relação ao protagonista e seu dilema - além da química entre o elenco ser revigorante algumas vezes - mas são bons atores fazendo o que sabem fazer de melhor, o que não salva o filme de sua própria armadilha de não correr riscos. Em vez de explorar esse tema “voltar ao lar e enfrentar as chagas do passado”, o longa se transforma em um romance genérico, com potencial desperdiçado.


Belas Famílias possui boas cenas, com bons atores fazendo o melhor que podem com o material apresentado, não o suficiente para salvar o filme. Mesmo assim, tem o bastante para ser um romance com algumas cenas que valem à pena conferir, não o melhor que o cinema francês pode oferecer, porém um bom começo para quem quer se aventurar.


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