NO FIM DO TÚNEL (Al Final del Tunel)


Ratos do Porão

Quando fico sabendo que tem filme argentino para estrear, as expectativas vão às alturas. A criatividade em criar grandes obras com orçamentos baixos (é óbvio que isso não é regra) propõe às produções vizinhas (vide o Brasil) uma necessária reflexão sobre o porque e para quem contar uma história – tendo em vista a série de filmes caros de “comédia” duvidosa, salvo raras exceções, que vem assolando as telas dos cinemas brasileiros.


Dirigido e escrito por Rodrigo Grande (Cuestión de Principios, 2009), No Fim do Túnel traz Leonardo Sbaraglia (Relatos Selvagens, 2014), ator que vem sendo considerado o novo Ricardo Darín do cinema argentino. Aqui ele interpreta Joaquín, um cadeirante falido e sem família (cujo ofício profissional supõe se tratar de um sujeito da área de TI) que passa a maior parte do tempo num sótão abandonado, consertando computadores e traquinagens.


Sua companhia inicial é um cão, e logo em seguida - após a apresentação em plano sequência do primeiro ato - adentra em seu recinto uma mulher misteriosa, Berta (Clara Lago), acompanhada da filha supostamente autista, Betty, à procura de um local para morarem.

As ações e motivações das personagens não são muito claras no início – talvez para criar propositadamente o suspense da narrativa, que fica estagnada por um bom tempo - e curiosamente a sequência das cenas soa um pouco atropelada: não sabemos a razão do envolvimento afetivo entre Joaquín e Berta, o plano de Galeretto (Pablo Echarri) envolvendo a construção do túnel para assaltar o banco, a insistência mórbida daquele primeiro (que fuma compulsivamente em todos os momento que surge em cena) em assistir/ouvir as conversas dos capangas por detrás da parede.


Apesar dos planos repetitivos e claustrofóbicos, No Fim do Túnel traz uma fotografia coerente com o roteiro, puxada para tons sutis de azul, verde e cinza na maioria das vezes, o que enfatiza a melancolia das personagens. O mérito é do diretor Félix Monti (O Alto da Compadecida, 2000), que explora bem a ausência de laços afetivos no sótão daquele ambiente, resumindo a sequência de planos a um túnel, uma casa abandonada e um depósito.


Apesar de nada esclarecedor a respeito das personalidades dos seus personagens (algo que eu sempre bato na tecla, talvez por também ser ator), No Fim do Túnel traz um desfecho com pitadas de humor não tão negro, fazendo referência aos filmes de Quentin Tarantino. Afinal, a esperança é a ultima que morre, ainda que tenha inspirações não reveladas.


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