O ÚLTIMO TANGO (Un Tango Más)


Documentário não um gênero apreciado pelas massas. Talvez por se concentrar na realidade em vez da ficção - como os outros gêneros do cinema - não atraia tanto público, contudo as vezes um documentário consegue transcender essas barreiras do real e da ficção.


O filme conta a história de Juan e Maria, dançarinos de tango que se conheceram na adolescência e se tornaram parceiros por 50 anos, criando um legado para a dança de tango. Entre romance e ódio, uma jornada envolta em dança mostrando os momentos mais dramáticos dessa parceria.


O documentário não perde tempo em mostrar a competência fotográfica da dança - completamente apaixonante - com coreografias engenhosas e que tiram o fôlego espalhadas por toda a película, refletem as pessoas por trás da lenda de Maria e Juan.


O filme coloca lado a lado ficção e realidade dos personagens, confrontando as suas próprias vidas e mostrando uma relação de amor e ódio, não só do casal, mas também em sua dança. Às vezes - como trabalho ingrato - se entregar à arte por inteiro, ambos convivendo com as decisões feitas - mesmo um não suportando o outro - em relação à vida dos protagonistas e a filosofia do tango, sendo tudo bem palpável e interessante.


São apresentados os dançarinos discutindo coreografias e como elas devem se comportar para demostrar a história. A narrativa se perde um pouco mostrando os bastidores e não focando no enredo principal - que seria a vida desses dançarinos lendários -, mesmo assim o engajamento de ambas partes dá identidade para o filme. Apesar da fórmula cansar um pouco, a produção consegue segurar a atenção de sua audiência.


Outro ponto positivo é a montagem, que junta a dança com o tema proposto, exibe um talento de juntar a arte cinematográfica e a dança, levando o público para um tango incondicional.


Se fosse um filme de gênero - e não um documentário - talvez caísse em fórmulas para desenvolver a trama e perdesse a identidade. As pessoas que você está vendo em tela são reais, tendo os seus defeitos e virtudes, o que transforma essa jornada em algo mais interessante. Mesmo que o ritmo se quebre do primeiro para o segundo ato, não deixa de ser um filme interessante, para quem gosta de dançar ou para quem gosta de arte.

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