OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES - Rumo a Hollywood


Infantil, sob medida para adultos

Após nove anos, o humorista Renato Aragão retorna à tela grande. Em Os Saltimbancos Trapalhões — Rumo a Hollywood é uma releitura do filme homônimo dirigido por J.B. Tanko em 1981, considerado um dos melhores filmes do quarteto de humoristas.


o longa - dirigido por João Daniel Tikhomiroff (Besouro, 2009) - é uma grande homenagem aos Trapalhões, e principalmente ao líder do grupo.


Na trama, um circo passa por dificuldades financeiras após a proibição do uso de animais nos espetáculos. O proprietário Barão (Roberto Guilherme, que se consagrou como Sargento Pincel) aluga suas instalações para o prefeito Aurélio Gavião (Nelson Freitas), apoiado pelo gerente Assis Satã (Marcos Frota) e sua namorada Tigrana (Alinne Moraes). O funcionário Didi Mocó (Aragão) sonha com um cachorro falante e tem a ideia de retomar um antigo espetáculo com atores interpretando bichos. Para isso, tem a colaboração de Dedé (Dedé Santana) e Karina (Letícia Colin), filha do dono do circo.


Escrito por Mauro Lima (Tim Maia, 2013), o roteiro tenta ter várias subtramas, porém nenhuma delas é bem desenvolvida. A impressão que fica é que foram criadas apenas para incluir comediantes - e assim tentar garantir momentos engraçados - ou então para criar espaço para Livian Aragão, filha do protagonista e que não tem nenhum carisma em tela.


O diretor acerta ao escalar Letícia Colin, que é boa atriz, boa cantora, além de muito bonita. Talvez o maior acerto de elenco seja a participação de Maria Clara Gueiros (O Diário de Tati, 2012), que faz uma falsa vidente e é responsável pelos momentos mais engraçados do filme.


O tão desgastado bordão - característica de humor exclusivamente brasileira - é usado à exaustão por Didi, que algumas dezenas de vezes insiste em dizer: "Os dois corre junto". Se a tentativa de graça não funciona na primeira vez, sua repetição a torna irritante.


"Os Saltimbancos" também falha tecnicamente em determinada cena onde um cão fala e em outra onde o protagonista anda de Limusine por Hollywood e é nítido o uso de chromakey (tela verde usada para substituir a imagem de fundo).


Talvez na tentativa de manter o ritmo, o filme é extremamente barulhento. Com diálogos intermináveis, qualquer pausa é imediatamente preenchida com música. Apesar dos defeitos apontados, a fotografia e a direção de arte são impecáveis. A direção musical da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho - responsável pelos principais musicais brasileiros e que recentemente fez um musical sobre os Trapalhões - é precisa, com lindos e atuais arranjos das músicas de Chico Buarque, Luis Enriquez Bacalov e Sérgio Bardotti.


Para quem tem mais de 40 anos, é impossível não se emocionar quando são cantadas as músicas tradicionais do filme, como História de uma Gata e Piruetas. Ainda mais no meu caso, que desenvolvi minha paixão pelo cinema ao ser levado em todo final de ano por meu avô para assistir ai novo filme de Os Trapalhões, sempre seguido de um bate-papo sobre o filme assistido regado à sorvete Sunday.


Em determinados momentos, Didi faz piadas sobre a passagem do tempo para Dedé, mencionando a aplicação de toxina botulínica e implante de cabelos. Sem querer fazer trocadilho, para os dias de hoje, o humor de Renato Aragão é nitidamente datado, e curiosamente, o filme deve agradar mais aos adultos do que às crianças.


Mesmo com problemas, a sensação final é de alegria nostálgica, principalmente com o encerramento, onde o diretor homenageia o grupo com uma imagem de Mussum e Zacarias tirada de um filme antigo. Neste momento, todo o elenco reverencia um dos maiores ícones do humor nacional, que é carinhosamente beijado por Tikhomiroff.

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