INTERNET - O Filme


Híbrido entre cinema e internet

Desde sua criação, o You Tube aproximou os jovens da produção de vídeo, e consequentemente surgiram os ícones do segmento. Naturalmente, vários deles migraram pra TV, ainda que alguns não tenham dado certo. Logo, as editoras perceberam que os youtubers (celebridades do You Tube) também são grandes vendedores de livros e dezenas de títulos surgem mensalmente. Como já era de se esperar, o cinema também não deixaria passar a oportunidade e lançou títulos de web celebridades como Kéfera e Christian Figueiredo, atingindo boa vendagem.


Numa época em que essas novas caras são responsáveis por tantos ingressos vendidos, não demoraria a surgir a ideia de juntar todos eles - ou sua grande maioria - num mesmo filme. O humorista Rafinha Bastos - pioneiro em utilizar da internet pra falar a um grande público antes mesmo do surgimento do You Tube, criou uma história simples porém eficiente: um encontro de youtubers acontece num hotel da capital paulista, dando margem personagens com estilos diferentes, do que faz de tudo pela fama ao que a detesta, o que utiliza de um cão pra conseguir visualizações, outro que ensina a jogar videogame, etc.


O roteiro - assinado por Rafinha Bastos - estilo multiplot (múltiplas histórias) se sai bem ao abrir possibilidade de explorar as várias "personalidades" do filme tornando-o ágil e interessante a cada um dos fãs do elenco. Também acerta ao utilizar-se de piadas que só fazem sentido aos frequentadores desses canais virtuais. Ainda que outras pessoas possam não entender todas elas - e o público-alvo do filme não terá maiores problemas - é perfeitamente possível embarcar na história e se divertir com ela. Sabiamente, roteiro e direção - conduzida de forma segura pelo estreante Filipo Capuzzi Lapietra - utilizam das personalidades de cada youtuber a fim de conseguir um melhor aproveitamento, uma vez que estes não tem experiência em dramaturgia. É algo como estar no limite entre ficção e documental.

Vale ainda destacar o excelente - e dificílimo - plano-sequência de abertura do filme, que acontece na porta do hotel e apresenta os personagens da história. Para sua realização foram necessários 14 takes (repetições) e uma noite inteira filmando.

Do elenco, os destaques vão para Gusta Stockler - no papel de um famoso e egocêntrico youtuber - e Gabi Lopes - que interpreta uma jovem que acha este mundo virtual uma completa bobagem. Porém, fica nítida a mudança quando entra em cena a atriz Polly Marinho (Meus Quinze Anos), que mostra a real diferença entre ser web celebridade e atriz de verdade.

A montagem é ágil e utiliza-se da linguagem a que o público da internet está acostumado, com inserções de imagem e som da forma que os youtubers costumam fazer em seus vídeos. Há ainda uma boa piada com o famoso comercial de produtos de beleza promovidos pelo SBT.


É nítido o objetivo de se fazer um filme que se comunique com o público, e a Paris Produções - produtora principal - acerta na escolha de Lapietra para dirigir. O fato de ser diretor estreante colaborou para que tivesse o frescor e jovialidade que um filme como este requer. É claro que trata-se de puro entretenimento, e - por mais que muitos critiquem - nosso mercado necessita disso. O cinema norte-americano está recheado de filmes voltados aos adolescentes ou jovens - como American Pie (Paul Weitz e Chris Weitz, 1999) - e está na hora de termos filmes de subgênero no Brasil também, como Internet - Filme ou o inédito Meus Quinze Anos.


Como declarou Rafinha Bastos, é muito bom saber que o Brasil está desenvolvido a ponto de poder fazer um filme com investimento próprio, que não dependa das tão demoradas e burocráticas leis de incentivo para sua realização.

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