ELES SÓ USAM BLACK-TIE (Necktie Youth)


Filme preto e branco sobre negros e brancos


Eles só usam black-tie não é uma refilmagem do brasileiro Eles não usam black-tie, de 1981 dirigido por Leon Hirszman. O título original Necktie Youth refere-se à gravata usada como parte obrigatória do uniforme estudantil no país e é um instrumento usado por Emily (Kelly Bates) para se enforcar no quintal de sua casa no subúrbio de Joanesburgo durante os créditos iniciais.


Detalhe importante: a garota branca morreu no Youth Day (tradução livre: Dia do Jovem), feriado nacional em memória ao Massacre de Soweto - subúrbio negro em Joanesburgo -, um dos mais sangrentos episódios de rebelião negra desencadeado pela repressão policial à passeata, em 16 de junho de 1976, feita por estudantes contra a inferioridade das "escolas negras" na África do Sul.


Então somos apresentados aos jovens adultos amigos da suicida, cada um dando o seu depoimento sobre o fato a uma documentarista interpretada por Tessa Jubber. Aparecem os dois protagonistas - descendentes da etnia zulu - Jabz (Bonko Cosmo Khoza) e September, interpretado pelo estreante diretor e roteirista do filme, Shongwe-La Mer, ambos residentes do Sandton, bairro de classe alta da capital sul-africana e estudantes recém-formados no melhor colégio privado.


Eles nunca tiveram problemas para fazerem amizades com os brancos, com isso, frequentaram festas regadas a drogas, sexo e rap, onde a cor da pele e a orientação sexual não tem barreiras.

Durante o dia anterior ao aniversário de um ano de morte de Emily, Jabz tenta conquistar Tali (Giovanna Winetzki), uma judia que deseja conhecer o sexo com um negro após experimentar vários garotos circuncidados. Depois eles vão a festa de casamento do amigo traficante e cross-dressing Matty (Matthew Hall), dão um mergulho na piscina de Tali e vão comprar bebidas para uma outra festa, para Setemper finalmente ter o bom ménage a trois, sexo a três) nas palavras dele, ou seja, com duas mulheres.


O filme é o retrato de uma juventude que alcança a fase adulta sem rumo e orientação para definir uma direção cujo silêncio é feito por atitudes autodestrutivas, ainda mais pelo suicídio da amiga e também pelos problemas mais graves e complexos ignorados. Embora a África do Sul não sofra mais com a política do Apartheid, ainda tem sérios problemas de corrupção no Congresso que geram graves crises sociais. Essa percepção angustia Jabz.


O público é levado a perceber a ausência de sentido numa vida onde a felicidade é passageira assim como a infância, a juventude e as futilidades do cotidiano são as únicas medidas de valor do ser humano. Nesse quesito - através da inquietude de Jabz e das reflexões filosóficas de September em meio ao preto e branco do filme junto à ignorância e leviandade dos outros em esquecer da data do suicídio e o feriado representado - temos um conflito de geração onde o local transcende para o universal. Salvo o colorido das fotos de diversas crianças.

Quem for ver o filme, espere palavrões, expressões racistas vindas dos próprios negros e grandes questões existenciais.


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