FÁTIMA (idem)


Feminismo à la Allah

A personagem Fátima - que dá nome ao filme - é interpretada pela atriz amadora argeliana Soria Zeroual. É uma mãe solteira de 44 anos que trabalha como doméstica para sustentar suas duas filhas, Nesrine (Zita Hanrot) de dezoito anos - caloura do curso de medicina - e Souad (Kenza Noah Aïche), adolescente de quinze anos. Esse trio de protagonistas enfrentará muitos obstáculos que testará a base familiar.


Fátima é imigrante da Argélia, cujo idioma oficial é o árabe, pelo qual ela mais se comunica. Isso torna escassa sua influência em francês, tornando-a parte da minoria segregada por ser historicamente colônia francesa, gerando preconceito nos seus patrões e submetendo-a a incontáveis testes de caráter, numa jornada de trabalho de dez horas por poucos euros além do emprego na fábrica. Exceto o bem-estar das filhas, seu maior consolo são suas confissões escritas em árabe.

Nesrine divide um quarto com outra universitária (Dalila Bencherif), enfrenta o estresse e o cansaço da carga de estudos, os olhares das muçulmanas segregadas, as muitas despesas para a sobrevivência pessoal e pouco tempo tem para aproveitar a sua juventude, se consolando no apoio maternal. Souad vai mal no colégio e tem medo de acabar igual a mãe, o que gera muitos conflitos entre as duas. A adolescente apenas fica tranquila quando se encontra com o pai (Chawki Amari).


Como se não bastasse a vida difícil das três, Fátima se acidenta no trabalho e precisa lidar com sua nova situação. Então, é chegada a hora de revelar suas confissões escritas as filhas e a medica (Fatima El Missaqui).


O filme rendeu ao diretor Philippe Faucon (A Desintegração, 2011) os Prêmios César 2016 de Melhor Filme, Roteiro Adaptado e o de Revelação Feminina para Zita Hanrot, além de nomear Soria Zeroual como melhor atriz em seu primeiro papel. O diretor marroquino ainda foi condecorado para a Legião de Honra Francesa no mesmo ano pela sua obra que costuma focar na cultura árabe na França, sobretudo a população argeliana e suas dificuldades em sobreviver devido ao preconceito secular.

Para quem for assistir, os temas são feminismo, preconceito social e humanismo no trabalho.


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