Eva Não Dorme (Eva no Duerme)


Um novo olhar

Maria Eva Duarte de Perón (1919 - 1952) é um mito. Por isso há vários filmes feitos sobre ela, sendo Evita (Alan Parker,1996) o mais famoso. Diante disso, é difícil sair do lugar comum e fazer algo original. Então nos deparamos com Eva Não Dorme, o novo filme do diretor e roteirista Pablo Aguero (Salamandra, 2008).


Obra que nos coloca diante de outra perspectiva sobre a mulher do Presidente Juan Domingo Perón (1895 - 1974), morta de câncer precocemente aos 33 anos. A história explora o pós morte de Evita. Os cuidados para o enterro, o sequestro do corpo e seu retorno para a pátria mãe 25 anos depois, e o período conturbado politicamente na Argentina.


O filme possui partes em branco e preto e outras coloridas, não por acaso. Outro recurso utilizado pelo diretor são as cenas nebulosas que possuem um sentido. Existem cenas do embalsamamento de seu corpo que beiram a poesia. A obra também mistura cenas de documentário com ficção. Além disso, é estruturada em capítulos. O uso desses vários recursos causam um bom resultado.


É recriada uma tensão, que faz parecer um de suspense. Mas vai muito além disso, tratando-se de uma obra original, que nos deixa o público ligado na tela o tempo todo, e causa um efeito impactante.


Outro elemento importante é o narrador Gael Garcia Bernal (Neruda, 2016), que acompanha todos os fatos com uma posição política que se contrapõe ao mito, mas que pouco aparece na tela. Então são apresentadas as percepções daqueles que endeusam Evita e dos que a detestam, bem como suas razões.


Os demais atores são Denis Lavant (Holy Motors, 2012) e Imanol Arias (A flor de meu segredo, 1995). Um filme inteligente, bem feito e original, digno de um bom diretor.


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