O REINO DA BELEZA (Le Règne de la Beauté)


Personagem sem obstáculos

O diretor canadense Denys Arcand (A Era da Inocência, 20007) possui em seu currículo uma variedade de produções, desde curtas, documentários, ficções e séries. Sua trajetória não é tão conhecida pelo grande público brasileiro, mas já obteve 40 premiações e outras nomeações em festivais ao redor do mundo. Seu trabalho mais conhecido no Brasil é As Invasões Bárbaras, de 2003.


Em O Reino da Beleza, Denys retoma na direção e roteiro, e suas características de autor se materializam ao longo da narrativa, não pelas duas funções apenas - como nos filmes anteriores -, mas pelo trato da história e a psicologia das personagens. Ele sabe criar atmosferas nas circunstâncias propostas, tanto pelas atuações quanto pela fotografia e ritmo dos planos e montagem. Mergulhamos na trajetória do protagonista, mas a relação do que traz fica a critério de cada um. Há uma indução aberta na experiência proposta.


Ao receber uma medalha de reconhecimento por seu trabalho em Paris, Luc Sauvageau (Éric Bruneau 2013) - um arquiteto bem sucedido - reencontra Lindsay Walker (Melaine Merkosky), uma mulher com quem teve um breve relacionamento quando mais jovem. Este acontecimento traz à tona o que foi este romance breve, porém intenso.

Uma história de amor. Por que os realizadores insistem neste tipo de trama? Por ser uma das questões mais mal-resolvidas dentro da existência humana. Morais implicam nesta relação, e muitas obras ainda serão feitas sobre. É interessante ver a relação dos públicos com cada produção dentro deste tema, a diversidade do olhar enriquece a cultura deste sentimento. E que possa ser cada vez mais humano, pois o impasse é o presente.


Luc não possui dilemas, conflitos em essência, ter de fazer escolhas morais para seguir com a vida adiante. A frieza do protagonista leva a uma relação de empatia plena ou tortuosa. Sua vida é perfeita, sem obstáculos que o façam ter de seguir por um caminho ou outro. O controle do que faz em cada momento coloca em xeque a existência de quem vê as circunstâncias nas quais está inserido. Um bom emprego, amigos com quem pode contar, um casamento aparentemente estável e lazeres nos quais é eficiente, jogar tênis, esquiar e caçar.


A filosofia de vida proposta divide opiniões. E a intenção é justamente essa, lidar com um sentimento enquadrado numa lógica falida. O roteiro se propõe a isso, e a fotografia, montagem e som colocam-se no lugar do comum para trazer um novo prisma sobre as ações humanas.


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