MÃE! (Mother!)


Muita fumaça pra pouco fogo

De tempos em tempos surgem filmes que - inexplicavelmente - a crítica decide elevá-los à categoria "obra de arte", ainda que estejam muito longe disso. E se considerarmos as reações adversas que o filme Mãe! causou em outros países, a sensação que fica é que no Brasil os críticos tem medo de dizer que não gostaram e serem considerados "pouco inteligentes".


No filme, os personagens não tem nome, portanto vou me referir a eles pelo nome de quem os interpreta. Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes, 2012) é casada com Javier Barden (O Franco-Atirador, 2015), um famoso poeta em crise de criação. Inesperadamente, recebem a visita de Ed Harris (Noite sem Fim, 2015) que logo é seguido por sua mulher Michelle Pfeiffer (A Família, 2013). Os visitantes se portam de forma acintosa, o que só piora com a chegada dos filhos Brian Gleeson (Branca de Neve e o Caçador, 2012) e Domhnall Gleeson (Feito na América, 2017). O descontrole vai se tornando cada vez pior, chega ao ponto de fazer com que a proprietária sinta-se como uma visita na própria casa. A partir daí, a situação - já fora de controle - vai piorando mais e mais até chegar num nível inimaginável.


Talvez o mérito do diretor se limite em extrair grandes atuações de Harris - o que não é nenhuma novidade - de Lawrence e Pfeiffer, além de conseguir segurar o suspense até a metade da trama. Depois disso, o roteiro torna-se cansativo - com duas ações iguais se repetindo - Barden tomando atitudes inverossímeis - o que seria perdoável se o filme conseguisse construir um universo onde elas se justificassem - e aparentemente sem saber como terminar a história.


Aí Aronofsky tenta justificar - em sua passagem pela capital paulista - que é tudo simbologia, que trata-se de personagens bíblicos e blá, blá blá... Quando o filme precisa de bula já está claro que há algo errado com ele.


Provavelmente seria um grande filme se tivesse contratado um bom roteirista em vez de querer fazer tudo sozinho. Uma pena, pois mostra que às vezes o dinheiro apenas atrapalha o cineasta, ficando cada vez mais evidente que sua força do início de carreira está se perdendo com o sucesso e orçamentos milionários.

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