DETROIT EM REBELIÃO (Detroit)


Um filme necessário

Numa época em que torcedores imitam macaco e jogam bananas para ofender jogadores negros, Detroit em Rebelião chega num importante momento para que os mais jovens tomem conhecimento de absurdos que os negros já tiveram que superar em décadas passadas.


Dirigido por Kathryn Bigelow - única vencedora do Oscar de Direção por Guerra ao Terror (2008) - o filme conta uma história real ocorrida durante os protestos da população negra de Detroit em 1967. Após uma operação policial não autorizada, o caos se instaurou e a polícia passou a fazer cerco nas ruas à procura de qualquer indício de criminalidade. Eventualmente, algum atirador disparava contra quem estivesse nas ruas. Por brincadeira, um homem negro disparou tiros de festim que fizeram com que o prédio fosse invadido pela polícia - liderada por Krauss (Will Poulter), Demens (Jack Reyner) e Flynn (Ben O’Toole) - e provocasse uma noite de tortura física e psicológica. Melvin Dismukes (John Boyega) é um rapaz negro que faz "bico" de segurança e acompanha a operação. Seu intuito real é tentar evitar abusos maiores.


Entre as vítimas dessa tortura está o cantor Larry Reed (Algie Smith), o militar Karl Greene (Anthony Mackie) e as jovens e belas garotas brancas Julie (Hannah Murray) e Karen (Kaitlyn Dever), cujo interesse pela companhia de homens negros irrita os policiais e os deixa mais violentos.

O elenco está impecável, com destaque para a fúria racista que Poulter e Reyner imprimem na tela, bem como Boyega, Smith e Mackie, que conseguem transmitir tamanha revolta apenas com o olhar, que fazem com que o público sinta-se no lugar deles.


O filme causa indignação em qualquer pessoa que tenha o mínimo de humanidade - e contrariamente ao que acontece com o filme Planeta dos Macacos (Matt Reeves, 2017) - vemos ali seres humanos com comportamentos animais, no sentido mais pejorativo da expressão. Em certos momentos o ritmo da montagem cai, dando uma certa agonia no público, o que provavelmente foi intencional, para fazer com que o espectador possa ter, ao menos, uma noção do quão longa foi aquela noite.


Seguindo o estilo da diretora em filmes anteriores como Guerra ao Terror (2008) e A Hora Mais Escura (2012), a maior parte de Detroit em Rebelião é feita com "câmera nervosa", aquela que fica na mão do operador e oscila o tempo todo, passando a sensação de nervosismo quase documental da situação. Tudo coordenado pelo experiente fotógrafo Barry Ackroyd (Ventos de Liberdade, 2006).


Diretora bissexta. Bigelow mostra mais uma vez que só filma quando realmente "tem o que dizer". Sua filmografia - que tradicionalmente tem um viés político - dessa vez apresenta uma situação bem mais próxima ao público comum. Se antes ela tratava de guerra, o espectador até poderia ver a situação como algo distante, que não faz parte de sua realidade. Porém, nas neste novo trabalho discute o racismo, algo que está diante de todos nós, sejamos brancos ou negros. Uma das piores manchas da personalidade humana que, mesmo após milhões de anos, parece que o homem ainda não é capaz de corrigir.


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