HUMAN FLOW - Não existe lar se não há para onde ir


Arrastado, mas interessante

Para um país tão distante de guerras como o Brasil, notícias que abordam esse assunto parecem coisa de noticiário sensacionalista. Porém, com a presença cada vez mais constante de estrangeiros refugiados no país, vamos nos dando conta de que esta é uma realidade mais próxima do que parece.

Devido à situação difícil que eles passam, numa primeira vista parecem ser apenas mais gente à margem da sociedade - este sim um assunto a que estamos habituados - mas não nos damos conta de que muitos deles eram pessoas com profissões de destaque e bom nível de vida. Tudo colocado à perder por causa do próprio ser humano, que utiliza de justificativas religiosas, científicas, ou qualquer outra, para sentir-se superior aos outros e com o poder de exterminá-lo. É esse universo que aborda o documentário Human Flow - Não existe lar se não há para onde ir.


O filme do chinês Ai Weiwei (As Vidas Chinesas de Uli Sigg, 2015) apresenta - com clareza, proximidade e qualidade nunca vistas - a saga de diversos povos em busca de um local seguro para viver. Como diz o ditado, uma imagem vale mais que mil palavras. O filme apresenta - com qualidade impressionante - imagens de drone em que verdadeiras multidões caminham, fugindo da guerra e/ou da fome. Também impressionam as imagens aéreas dos acampamentos formados pelos refugiados.

São mostrados migrantes da Síria, Líbano, Afeganistão, África e mexicanos que tentam entrar nos Estados Unidos. O próprio diretor teve que deixar seu país e morar na Alemanha após ameaças de prisão na China, como aconteceu com seu pai.


O maior problema do filme - indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza - é que seus 140 minutos o deixam ongo e arrastado. Depois de tanto tempo vendo aquelas histórias de sofrimento - e apesar da força - elas vão ficando maçantes e cansativas. Um outro problema é que, apesar de ter uma duração maior do que o usual, o diretor não consegue aprofundar-se nas histórias, o que certamente faria com que o público se identificasse mais com aquelas pessoas e nem percebesse sua duração.


Com erros e acertos, é uma bela pesquisa e vale assisti-lo, pois dificilmente alguém não sairá da sala pensando no que viu. O que, por si só, já é algo cada vez mais incomum aos dias atuais.

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