EXTRAORDINÁRIO (Wonder)


Um filme para toda a família


A cinquentona Júlia Roberts (Train Man, 2017) tem seu nome associado a enormes sucessos do cinema, ainda que seu talento seja questionável. A maioria deles alternando entre dramas e comédias românticas, como Uma Linda Mulher (Garry Marshall, 1990), O Casamento do Meu Melhor Amigo (P. J. Hogan, 1997), Closer - Perto Demais (Mike Nichols, 2004), Tudo por Amor (Joel Schumacher, 1991), Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento (Steven Soderbergh, 2000), Um Lugar Chamado Notting Hill (Roger Michell, 1999) e Onze Homens e Um Segredo (Steven Soderbergh, 2001). E chega mais uma vez com o filme Extraordinário, com tudo para ser o blockbuster do momento.


No filme, a atriz interpreta Isabel Pullman, mãe de Auggie (Jacob Tremblay), um menino que nasceu com diversos problemas físicos e por isso teve que fazer 27 cirurgias, ficando com o rosto deformado. Casada com Nate (Owen Wilson), ainda tem a filha adolescente Via (Izabela Vidovic). Desde que se filho nasceu, deixou seu sonho profissional para dedicar-se totalmente a ele, sendo responsável por sua educação até os dez anos. Com isso, a filha sente-se preterida, agarrando-se nas memórias de sua avó - interpretada por Sonia Braga (Lope, 2010) - que percebia a carência afetiva da neta e por isso lhe dava atenção especial.


Aos dez anos de idade, a família decide que Auggie deve se matricular numa escola e aprender a viver em sociedade, causando enorme apreensão em todos. Obviamente, os problemas físicos causarão grandes transtornos ao garoto - e consequentemente à família toda - fazendo com que tenham que conseguir forças para superar as situações.


É claro que uma história com essa temática carrega altas doses de melodrama e é feita para que o público se emocione. Porém, o roteiro que o diretor Stephen Chbosky (do sensacional As Vantagens de Ser Invisível, 2012) assina junto com Steven Conrad (À Procura da Felicidade, 2007), Jack Thorne (Simbad, 2012) e R. J. Palacio - que escreveu o livro que deu origem ao filme - consegue dosar com precisão os momentos de drama com outros divertidos. Tal como no livro, o filme é dividido em capítulos - cada um apresentando o ponto de vista de um personagem -, o que, inteligentemente, foge do maniqueísmo, mostrando que as coisas nem sempre são como parecem.

Além de usar muito bem os clichês, o roteiro apresenta um menino apaixonado pelo espaço. Essa paixão sugere que, por conta de sua aparência, não se sente parte integrante do nosso planeta e preferiria se isolar no espaço. Divertidamente, o menino possui em seu quarto uma barraca em formato de foguete, a parede pintada como o Espaço Sideral, o edredon estampado com roupa de astronauta e ainda possui um capacete espacial que utiliza para andar nas ruas e evitar que todos fiquem lhe observando. Com a mesma inteligência, o menino imagina ser um astronauta famoso para suportar os olhares constantes de todos.

Recheado de referências pop, o menino sente-se uma espécie de Chewbacca (da franquia Star Wars) quando está no meio das pessoas.


Os atores estão impecáveis, com química suficiente para fazer com que o público se identifique com a história, que deve agradar a crianças e adultos. Apesar do elenco infantil ser ótimo, o grande destaque vai mesmo para o protagonista - com uma maquiagem impressionante - que atua com a segurança de um ator experiente, apesar de sua pouca idade.


Talvez o único defeito do filme seja na passagem do segundo para o terceiro ato, momento em que perde um pouco o ritmo e poderia ter uns dez minutos cortados, mas nada que ofusque o brilho dessa grande obra.


Para nós brasileiros, pode parecer frustrante ver a grande atriz Sonia Braga numa participação tão pequena - apenas uma cena -, mas de qualquer forma é gratificante vê-la num filme tão grandioso e bem acabado.


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