THE SQUARE - A Arte da Discórdia (The Square)


Um filme cheio de camadas

Muitos filmes tentam fazer o gênero "filme cabeça" ou "filme de arte". Em curtas-metragens estudantis vemos muito isso, quase sempre bobagens rasas disfarçadas de intelectuais. Ainda assim, de vez em quando nos deparamos com obras sólidas, quem mostram a que vieram e que tem o que dizer.


Premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes, o sueco The Square conta a história de Christian (Claes Bang), um bonitão e sofisticado curador de uma galeria de arte em Estocolmo que planeja a exposição que dá nome ao filme. Na profissão, questiona o limite entre o que é arte e o que é um simples objeto. No início do filme é o padrão do homem perfeito: bonito, culto, bem sucedido, elegante, sofisticado. Após ter sua carteira roubada, sua armadura perfeita pouco a pouco vai se desmontando e ele vai se revelando uma pessoa diferente do que aparenta.


A história toca em várias situações interligadas onde nada é muito claro e explícito. Uma dupla de jovens publicitários contratada para fazer o vídeo de divulgação busca as ideias mais estapafúrdias com o objetivo de conseguir o maior número de visualizações. A jovem repórter Anna (Elisabeth Moss) tem um chimpanzé que fica perambulando por sua casa. Após ter sua honestidade posta em julgamento, um menino árabe questiona o famoso curador com a acintosidade que nenhuma outra pessoa teria coragem de fazer. Mas é impossível não citar como ponto alto do filme a performance de arte contemporânea de Oleg (Terry Notary), em que simula ser um macaco. A apresentação acontece num jantar para milionários e começa de forma leve, despertando risos dos convidados.


Conforme o artista vai radicalizando sua performance, os convidados vão perdendo o controle a ponto de deixarem toda a aparente sofisticação de lado. É impressionante a interpretação de Notary, que consegue atingir os movimentos do animal nos mínimos detalhes.

The Square ainda possui momentos de humor completamente peculiares, como na cena em que o casal transa pela primeira vez e disputam quem vai jogar fora o preservativo usado. Essa boba discussão provoca desconfiança de ambas as partes sobre as reais intenções e termina por deixar o público curioso se realmente haviam segundas intenções ali. Ou no momento em que se anuncia - durante o discurso de apresentação da exposição - que depois haverá um coquetel, e no mesmo momento as pessoas saem desesperadas para comer, deixando o apresentador falando sozinho.


O filme apresenta ainda uma cena recheada de simbolismos, onde um personagem sofisticado, de smoking, se lambuza por entre pilhas de lixo sob uma chuva torrencial.

De uma coisa não resta dúvida: o roteirista e diretor Ruben Östlund (Força Maior, 2014) sabe o que faz, e consegue provocar o expectador mais atento sem que se saiba exatamente em que estamos sendo instigados. Imperdível!

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