O DIA DEPOIS (Geu-Hu)


Cinema à moda antiga


Quem já viveu mais de 4 décadas acompanhou a passagem do cinema analógico para o digital. Aos poucos fomos acostumando nosso olhar para a nova textura, bem diferente da famosa película, que eram como máquinas fotográficas que tiravam 24 fotos a cada segundo e na nossa vista faziam parecer um movimento só. A tecnologia possibilitou o barateamento de produção e consequentemente acessibilidade a pessoas que dificilmente poderiam fazer seus próprios filmes, ao mesmo tempo que possibilitou a diretores de grandes produções poderem usar várias câmeras simultaneamente.


No filme O Dia Depois, escrito e dirigido pelo prolífico sul-coreano Sang-Soo Hong (Na Praia à Noite Sozinha, 2017), além do cineasta utilizar a técnica analógica, filma em preto e branco. Isso, por si só já dá a sensação de estarmos assistindo a um filme de décadas passadas. Somando-se a isso, filma de forma tradicional - com uma só câmera - e faz uma decupagem (separação de enquadramentos) em diversos planos sequência. É curioso ver como ele faz para enquadrar os longos diálogos sem utilizar-se dos cortes tão comuns ao cinema americano e consequentemente do resto do mundo. Em alguns momentos faz um enquadramento lateral - onde se vê os dois atores -, mas conforme a cena flui, a câmera escolhe fechar em um dos atores por algum tempo, ou mesmo dando detalhes de objetos ou ações.

A trama - muito simples - conta a história de Kim (Hae-Hyo Kwon), homem de meia idade dono de uma editora que contrata a jovem e introspectiva Song Areum (Mion-Hee Kim), sua mulher Cho Yunhee (Song Haejoo) encontra um bilhete da antiga amante e pensa se tratar da recém-contratada funcionária.


Selecionado para os festivais de Cannes e San Sebastian, provoca um estranhamento no público médio. É o chamado "filme de arte", filme que críticos adoram. Tem suas virtudes, mas é basicamente teatro filmado. Possui um ritmo mais lento - como costumam ser filmes orientais -, boas atuações e uma beleza "retrô". Porém, não é para qualquer público, pois sua trama simples contrasta com uma forma difícil, não só pelo ritmo e pelo preto e branco, mas também pelos enquadramentos lentos.

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