TALVEZ UMA HISTÓRIA DE AMOR

Um feijão com arroz bem temperado

Comédias românticas sempre tiveram seu espaço no cinema. O auge do gênero já passou, mas ainda assim volta e meia surge uma nova tentativa nas telas.

O filme da vez é Talvez uma história de amor, uma produção nacional adaptada do livro homônimo escrito pelo francês Martin Page e adaptado pelo estreante Rodrigo Bernardo.

Conta a história de Virgílio (Mateus Solano), um sujeito metódico, repleto de TOC (transtorno obsessivo compulsivo) que fazem com que todos os dias tome seu cafe da manhã absolutamente igual e relute com todas as suas forças a qualquer novidade, chegando ao ponto - essa é uma cena que arranca gargalhadas da plateia - em que recusa uma promoção com aumento do seu salário para não alterar sua vida que mantém exatamente igual há anos. Certo dia, recebe um recado na secretária eletrônica onde uma mulher - de nome Clara (Thaila Ayala) deixa um recado onde declara seu amor por Virgílio, mas diz que precisa ir embora. Desnorteado com a mensagem, uma vez que não faz ideia de quem seja a moça, sai em busca de descobrir de quem se trata.


O longa torna-se uma espécie de road movie na cidade de São Paulo onde o protagonista - presente em 100% do filme - procura todas as pessoas que sabem do casal e tem alguma relação com Clara. A trajetória acaba levando-o para Nova Iorque, onde acontece uma participação especial da atriz americana Cynthia Nixon (a Miranda de Sex and the City).


Apesar do talento enorme de Solano, sua interpretação por vezes encontra um registro mais teatral do que cinematográfico. Com diálogos artificiais, o número de participações especiais como Nathalia Dill, Juliana Didone, Totia Meirelles, Gero Camilo e Dani Calabresa mostra-se excessivo e não dá possibilidade de um maior desenvolvimento dos personagens ou identificação do público com eles. Bianca Comparato (da série 3% do canal Netflix) é uma grande participação, e mostra sua já constatada competência e talento em desempenhar os mais variados papeis, que vão de Irmã Dulce (Vicente Amorim, 2013) à série A Menina sem Qualidades (Felipe Hirsch, 2013). Ainda há a presença de Marco Luque (Colegas, 2013), que mostra-se um pouco deslocado no papel de colega de trabalho de Virgílio.

Apesar de previsível, o longa de estreia de Rodrigo Bernardo - da série (Des)Encontros - é bastante previsível, mas tem o mérito de conseguir segurar a atenção do espectador durante toda a saga do protagonista. Fazendo referências a clássicos do gênero como Tarde demais para esquecer (Leo McCarey, 1957) e Sintonia de amor (Nora Ephron, 1993), Talvez uma História de Amor é melhor na forma do que no conteúdo, pois é um filme com belo acabamento mas facilmente esquecível após assisti-lo, com cara de "Sessão da Tarde".


Como primeiro longa, o diretor santista mostra ter técnica e força para se tornar mais um nome a colaborar com grandes bilheterias brasileiras. Afinal, se nosso cinema precisa de filmes autorais, também necessita daqueles cujo objetivo principal seja fidelizar nosso público a assistir nossos próprios filmes.


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