A REBELIÃO (Captive State)


Uma rebelião no gênero


Se for ver este filme esperando um espetáculo de ficção científica com pirotecnia e monstros atacando vai ficar desapontado. A proposta é outra. Rupert Wyatt, diretor de Planeta dos Macacos - A origem e da Série O Exorcista escreveu e dirigiu este filme com a proposta de realizar um thriller tenso, cerebral e com metáforas sócio-políticas que o aproximam de filmes da década de 70.


Na abertura sabemos que a Terra foi dominada por alienígenas que conseguiram que todos os governos se submetessem ao seu controle. Não houve aniquilação em massa e as cidades começam a ser ocupadas. A família de um policial de Chicago está fugindo para um local que, segundo o pai, seria um porto seguro. Tudo termina em uma tragédia que vai ser o mote de toda a ação dos dois protagonistas do filme, Gabriel (Ashton Sanders) e Rafe (Jonathan Majors), os filhos do casal. Aqui temos um velho clichê de filme americano: há um trauma no início do filme que norteia todo o comportamento do personagem.

Nove anos depois, a Terra está sob o controle total dos “aliens” (efeito de computação gráfica nota 8,5) que vivem no subsolo explorando os nossos recursos naturais. A humanidade regrediu tecnologicamente e a ocupação se vale de uma coisa que já vimos na colonização do Império Britânico e seus similares que dominaram países e convenceram parte da população que aquilo era benéfico para todos. Em uma Chicago com jeito de Coréia do Norte; onde todos são controlados por uma polícia violenta, informantes que podem ser qualquer um e pequenos seres implantados que servem como identificação; os dois irmãos tomaram rumos diferentes. Gabriel toca a vida ainda alimentando o sonho de fugir e chegar ao local que sua família pretendia alcançar e Rafe tornou-se um herói da resistência com sua imagem estampada em grafites pela cidade. É neste momento que a ação começa e segue dividida em 3 pontos de vista: os dos dois irmãos e do eficiente chefe de polícia interpretado pelo sensacional John Goodman (Atômica, 2017) que tenta encontrar o Número 1 dos rebeldes. Os “aliens” mal aparecem e sua presença é lançada apenas em momentos chaves para o desenvolvimento do roteiro. Aqui, os vilões que atuam mesmo são os humanos colaboradores e, portanto, traidores que escolheram seu caminho por instinto de sobrevivência.


As intenções do roteiro são boas, querem entregar um filme com uma proposta diferente do usual Sci-fi (ficção científica). Conseguem construir uma história intricada de atmosfera tensa e com suspense crescente que acompanha o projeto de um ataque da resistência assim como as conseqüências deste com o revide do sistema se valendo de seus aliados terrestres. Há sequências eletrizantes sem abusar de efeitos especiais. Mas a complexidade do tratamento leva a uns tropeços: personagens ficam sem suas funções na trama, um protagonista vira apenas um desorientado joguete nas mãos dos outros e um erro de casting acaba virando spoiler. Haverá um momento em que o espectador não vai entender até onde a história vai chegar, mas um evento final demonstrará e explicará tudo que aconteceu antes e que aparentemente não fazia sentido.


Para juntar as peças seria melhor prestar atenção nos detalhes e diálogos. Há uma frase no filme que diz que basta apenas um fósforo para dar início a deflagração de uma grande hecatombe. Talvez, a boa vontade dos realizadores deste filme seja este fósforo, um início de movimento em direção à criação de um cinema pipoca mais inteligente e com melhor conteúdo. Se for criado um caminho, no futuro talvez, poderemos ter filmes de ficção científica que discutam temas mais nobres como ética, escolha do próprio destino, colonização cultural e fidelidade à sociedade como esta produção. O gênero em questão precisa mesmo de um “upgrade” para deixar de ser um mero espetáculo de pancadaria, explosões e bichos gosmentos.


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