HAPPY HOUR - VERDADES E CONSEQUÊNCIAS (idem)


Mais do mesmo...

Embora Happy Hour - Verdades Consequências seja de uma coprodução entre Brasil e Argentina, não tenho dúvidas de que a linguagem predominante na maior parte do filme é mesmo a do cinema brasileiro contemporâneo, quase sempre orientada pelo formato televisivo.


E isso implica em quê? Na pasteurização extrema da linguagem: decupagem "quadrada" (planos básicos, normalmente, apenas geral, close e plano-contra-plano médio), fotografia descuidada ou "genérica" (imagem "lavada", onde se ilumina tudo, não havendo espaço para o uso de sombras como componente narrativo).


É mesmo uma pena que o diretor brasileiro desta coprodução (Eduardo Albergaria), tenha optado pela segurança da linguagem televisiva que predomina no cinema brasileiro contemporâneo (ao menos em sua vertente mais comercial), em vez de - beneficiando-se do lado argentino desta produção - fazer exatamente aquilo que o novo cinema argentino (salvo exceções) faz de melhor: nos brindar com um filme de baixo custo que prima, acima de tudo, por um roteiro bem escrito e bem desenvolvido.

Em termos de roteiro, aliás, "Happy Hour" parte de uma boa premissa, mesclando um drama pessoal e romântico com pano de fundo social. Porém, logo acaba se perdendo em meio a superficialidade com a qual retrata todas as situações e tramas paralelas que nos apresenta.


Desse modo, acaba por desperdiçar um bom elenco, como Chico Díaz (Em Nome da Lei, 2016) e Marcos Winter (A Terra Prometida, 2016) inclusive, uma boa atuação por parte da protagonista Letícia Sabatella (Querida Mamãe, 2018), por conta do mau desenvolvimento e falta de aprofundamento das situações apresentadas ao longo da história. Além disso, falta ritmo em termos de direção, pois, embora o filme tenha apenas 1 hora e 44 minutos de duração, às vezes, ele realmente pesa como se tivesse mais de 2 horas...


Também me incomoda bastante o fato de que, o mesmo filme/roteiro que, a princípio, nos sugere a liberdade de ação e escolhas e em face a diversas situações cotidianas que todos nós vivemos: casamento X liberdade sexual, estabilidade financeira e profissional X instabilidade "aventureira", no fim das contas, opte por um desfecho tão convencional e conservador.



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