SUSPIRIA - A Dança do Medo (Suspiria)


Maldito jogo de poder


Como tudo na vida, a disputa pelo poder está em toda parte. Não seria diferente num ambiente tão competitivo quanto o da dança, onde esforço, garra e dedicação são os requisitos básicos, não necessariamente os únicos, tampouco os decisivos. Muito mais há em questão. Porém, tais disputas se dão nas camadas mais profundas, num submundo, onde o bem e o mal são relativos, muitas vezes mera questão de opção.


A tradicional e concorrida Companhia de Dança Markos Tanz, de Berlin, comandada pela Madame Blanc (Tilda Swinton), tem um novo espetáculo em desenvolvimento: Renascimento. Patrícia (Chloë Grace Moretz) - intérprete do papel principal do espetáculo -, em meio a um surto psicológico, desaparece misteriosamente. Recém ingressada na companhia, Susie Bannion (Dakota Johnson), agrada muito a Blanc pela desenvoltura e vigor em sua audição, e assume o papel principal. A partir daí, uma sucessão de fatos esconde o real propósito do espetáculo, mas não aos olhos de Sara (Mia Goth), bailarina que, curiosa, descobre mais do que deveria. Tem, então, início um maldito jogo de poder.


O diretor Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome) refilma um clássico de seu conterrâneo, o diretor Dario Argento (Suspiria, 1977), muito embora fuja da estética do original e da conclusão da trama.

Guadagnino traça uma representação metafórica do submundo da dança, no qual toda podridão é travestida e revelada através do belo, do perfeito, do equilibrado e esconde todo o árduo caminho a seguir, e todo tipo de subterfúgio muitas vezes utilizado para se ascender numa companhia de dança.


Para aqueles que não tem noção ou que desacreditam que muito da atmosfera do filme é criada e sustentada pela trilha sonora, Suspiria surpreende. O desenho de som, aliado à perturbadora trilha sonora de Thom Yorke (vocalista da banda Hadiohead) - que compôs 25 faixas para o filme - é um choque de audição.


A direção de arte contribui com uma bem escolhida paleta de cores aliada à direção de fotografia, que faz uso de uma luz dramática, saturada, excessiva, de realismo fantástico, contrária ao padrão cinematográfico. Planos com câmera na mão, movimentos randômicos (aleatórios) e edição com cortes secos em momentos cruciais, causam sensações de claustrofobia, alucinação, nojo, incômodo, frio, tortura mental. Elementos que carregam o espectador e fazem dele o que querem. Tudo isso muito bem utilizado chega a tirar o protagonismo da trama.


Quem não assistiu ao filme original e aos outros da trilogia das Três Mães (Suspiria, 1977; Inferno, 1980; e Mãe das Lágrimas, 2007), pode ter uma sensação de falta de compreensão total do filme, de que se perdeu alguma coisa ou de que algo não ficou bem explicado. Ainda assim, a história é interessante o suficiente e se basta. Para quem assistiu, o final surpreende.


Suspiria é um filme que se revela quase líquido, tamanha a quantidade de sangue em seu final, tem muitos elementos para agradar fãs do gênero Suspense Sobrenatural, vale o ingresso.


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