O GÊNIO E O LOUCO (The Professor and The Mad Man)



Enxergando além do óbvio


Megaprodução ambientada no final do século XlX e baseada em fatos reais, sobre a criação do tradicionalíssimo dicionário Oxford.

Independente do quão fiel ou não o filme possa ser em relação aos fatos reais que o inspiraram, o que realmente importa é a bela mensagem de tolerância em relação ao diferente, ou seja, aquele que não se enquadra em nossa normatividade cotidiana e também sobre o enxergar além das coisas óbvias e banais do dia a dia.


Em termos técnicos, O Gênio e o Louco, sem dúvida, dispensa maiores comentários, pois nos brinda com um primoroso trabalho de reconstituição de época e também um belíssimo trabalho de fotografia que parece ter uma certa inspiração barroca, apesar do período histórico aqui retratado, talvez reforçando a personalidade, estranhamente religiosa, do personagem vivido por Sean Penn (Sobre Meninos e Lobos, 2003), visto que trata-se de um médico e, portanto, um "homem da ciência".


O diretor estreante Farhad Safinia demonstra competência na condução da trama, porém, o recurso de contar em paralelo a história pessoal de cada um dos personagens centrais, embora bastante usual no cinema contemporâneo, talvez possa confundir um pouco o espectador desavisado e não familiarizado com certas artimanhas estilísticas do novo cinema comercial.

Aliás, analisando os personagens centrais do filme, me incomoda um pouco o tom da atuação de Penn que, frisando bem, na minha opinião desenvolveu uma espécie de atuação genérica em seus últimos trabalhos (mesmo tom de voz, mesmas expressões, etc), tornando assim o personagem por ele vivido, embora muito interessante, um tanto caricato aos olhos de quem acompanhou sua filmografia dos últimos anos.


Por outro lado, a qualidade da atuação de Mel Gibson (Coração Valente, 1995), nunca reconhecido propriamente como um grande ator, diga-se de passagem, surpreende positivamente.


Em suma, um belo filme, que apesar de não trazer grandes inovações técnicas ou estilísticas dentro do que normalmente se espera de uma megaprodução (obviamente com mega-interesses de retorno), chega a emocionar de verdade, sem precisar apelar ao sentimentalismo barato para isso.



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