PICO DA NEBLINA - série da HBO


Primeiro Episódio da 1ª Temporada

+ Coletiva de Imprensa



A nova série produzida pela HBO Latin America, em recente coletiva de imprensa de apresentação de sua 1ª Temporada, contou com a presença de parte do elenco: Luís Navarro (estreante), Daniel Furlan (La Vingança, 2017) e Leilah Moreno (Antônia, 2007), bem como do produtor executivo Fernando Meirelles (Cidade de Deus, 2002) e do diretor geral Quico Meirelles (A Vision of Blindness, 2008).


A série aborda um futuro fictício no qual a maconha tem sua comercialização oficialmente liberada. Aliás, conforme ressaltou de forma irônica Fernando Meirelles, no atual contexto brasileiro "em que nosso país vive uma clara onda conservadora, tanto política quanto moral, não se poderia mesmo imaginar uma realidade mais utópica do que essa imaginada pela série Pico da Neblina".


O ator estreante, Lucas Navarro (protagonista) ressaltou o quanto o fato dele próprio ser oriundo (e ainda morador) da periferia de São Paulo, onde se desenrola a trama, contribuiu no sentido de dar veracidade e credibilidade a seu personagem, seja pelas semelhanças quanto à realidade característica do bairro onde nasceu, seja pelo evidente conhecimento das gírias que ali de fato são utilizadas como forma de criar um contexto bem particular, ou seja, uma absoluta familiaridade entre os autênticos moradores que vivem o cotidiano dessas comunidades.


A atriz Leilah Moreno ressaltou a importância de se retratar o real papel ocupado pelas mulheres em comunidades ou bairros periféricos, nos quais, assim como no caso vivido por sua personagem, há de fato muitas famílias quase que exclusivamente compostas por mulheres que assumem o papel de chefes de família. Segundo a atriz, nesse sentido, "Pico da Neblina colabora imensamente em dar o merecido destaque à questão do empoderamento feminino no Brasil contemporâneo".


O ator Daniel Furlan mencionou sua preocupação humanizar seu personagem "Vini". Que, em tese, trata-se do típico playboy da zona oeste de São Paulo que, ao mesmo tempo em que carrega bandeiras do tipo "sou da paz" nas inúmeras passeatas da vida, por outro lado, fingem fechar os olhos para o fato de que, sem a violência praticada pelos traficantes, combinada à conivência (corrupção) policial, nenhum "inocente" baseado jamais chegaria em suas privilegiadas mãos...


Aliás, sou obrigado a reconhecer que, pelo pouco que vi neste primeiro episódio de sua primeira temporada, o personagem promete mesmo ser a figura mais carismática e divertida da série.


Do ponto de vista técnico, Pico da Neblina tem seus méritos, pois, embora não ouse em termos narrativos, tem fotografia bem cuidada, cenografia e escolha de figurinos adequados à realidade que se propõe a abordar, além de um elenco carismático e aparentemente bem afinado.


Porém, é inegável que os ecos de Cidade de Deus ainda se fazem muito presentes. Muitas vezes, parece que apenas se transpôs o cotidiano característico do periférica carioca, para a zona leste de São Paulo, igualmente periférica. Ou seja, não fosse pela ótima sacada no sentido de se imaginar uma utópica realidade em que a maconha (isso sem falar em drogas mais pesadas) estivesse liberada por aqui e, consequentemente, imaginar a forma como (ex) traficantes, policiais e consumidores teriam que se adaptar a essa nova realidade, Pico da Neblina não estaria mesmo oferecendo nada de novo em relação ao icônico filme.


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