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CADÊ VOCÊ, BERNADETTE? (Where'd You Go, Bernadette?)

  • 8 de nov. de 2019
  • 2 min de leitura

Linklater em momento Woody Allen


Combinar elementos típicos do cinema de autor com uma linguagem e estilo narrativo acessíveis ao grande público, sempre foi o ponto forte de Richard Linklater (Antes do Amanhecer, 1995), mas, em especial neste novo trabalho, talvez até pela parceria com a grande Cate Blanchet (Blue Jasmine, 2013), seu lado mais autoral predomina, gerando uma espécie de "momento Woody Allen".


É praticamente impossível assistir Cadê Você, Bernadette? e não relembrar da igualmente impagável protagonista vivida por Cate Blanchet em Blue Jasmine (Woody Allen, 2013), pois, embora aqui o tom seja bem mais dramático do que cômico - ao contrário do que ocorria em Blue Jasmine -, o incrível talento que a atriz possui para modular e equilibrar momentos de drama e comédia, combinada também, é claro, à direção segura de Linklater, rendem uma personagem poderosa e carismática.


O filme peca apenas pela superficialidade dos diálogos, pois, já que estamos aqui comparando os estilos de Linklater e Allen, o primeiro, apesar de seu inegável talento como diretor, parece não possuir a mesma genialidade do segundo no que se refere à construção de diálogos sempre eficientes e mordazes.


Chega a ser cômico e inverossímil o fato de que a filha adolescente da protagonista (vivida pela estreante Emma Nelson) é quem profere os diálogos mais "adultos" e definitivos da trama.


É fato também que Linklater sempre esteve de alguma forma ligado à estética Indie que, de certo modo, imperou no cinema norte-americano de baixo orçamento entre meados dos anos 80 e início dos 90. O que acaba gerando a tendência a certos "cacoetes" irritantes e desnecessários que caracterizam tal estética, tais como a tendência ao pseudo-intelectualismo e à verborragia. Embora seja também inegável que o diretor sempre demonstrou um talento bem acima da média encontrada entre boa parte dos diretores ligados à famigerada corrente Indie.


Entre erros e acertos, pode-se dizer que a reunião entre uma talentosíssima atriz e um bom diretor rende, em termos gerais, um filme no mínimo agradável de se ver.


 
 
 

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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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