A MALDIÇÃO: DESPERTAR DOS MORTOS (Cursed)



ZUMBIS À COREANA


por Ricardo Corsetti


Realmente não é mesmo por acaso que, ao menos desde o início dos anos 2000, a Coréia do Sul tem se demonstrado uma autêntica super potência cinematográfica, apresentando filmes dos mais variados gêneros e sempre com muita competência técnica, sobretudo.

E assim como ocorre em A Maldição, a grande sacada do cinema sul-coreano contemporâneo é produzir cinema de gênero, mas sempre com um certo viés autoral que o torna muito peculiar.


O que vemos em A Maldição é, acima de tudo, um autêntico show em termos técnicos, como direção, efeitos especiais e montagem, embora a trama, propriamente dita, acabe se perdendo um pouco no decorrer de seu desenvolvimento.


Enquanto filme de zumbis à coreana, o novo trabalho de Kim Yong-wan (Champion, 2018) funciona muito bem, associado ao roteiro escrito por Yeon Sang-ho, autor dos sucessos internacionais Invasão Zumbi (Sang-Ho Yeon, 2016) e "Invasão Zumbi 2: Península" (Sang-Ho Yeon, 2018).


Há claras referências aos ultra clássicos do subgênero "filme de zumbis", tais como: A Noite dos Mortos Vivos (George A. Romero, 1968) e Zombie (Lucio Fulci, 1978).

Em determinados momentos de A Maldição é até possível identificar uma razoável sátira em termos políticos, em relação à forma como as grandes corporações manipulam a mídia enquanto exploram recursos naturais e também humanos, indiscriminadamente. Porém, ao contrário do que ocorre no já citado clássico absoluto de George Romero, aqui temos, acima de tudo, um filme de entretenimento realizado com muita competência.


Destaque para a cena em que uma imensa quantidade de zumbis pilotam uma frota de táxis (isso mesmo, táxis) para tentarem alcançar e destruir seus opositores na trama. Momento divertidíssimo do filme.


Autêntico deslumbre em termos técnicos e também um senso humor muito peculiar estão garantidos em A Maldição: Despertar dos Mortos. Vale uma boa conferida!