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DECISÃO DE PARTIR (Heojil Kyolshim)




PARK CHAN-WOOK EM FASE DE TRANSIÇÃO



por Ricardo Corsetti


É no mínimo curioso notar que em seu mais recente trabalho, o já lendário diretor sul-coreano de Oldboy (2003), Park Chan-Wook, parece ter incorporado o cineasta chinês Wong Kar-Wai, diretor do belíssimo Amor À Flor da Pele (2000).

Pois, apesar da subtrama policial, o que realmente impera em Decisão de Partir, é mesmo o romantismo característico da obra de seu contemporâneo chinês.


Mas isso não quer dizer, de forma nenhuma, que Park Chan-Wook tenha perdido sua personalidade e "assinatura". Afinal, seu trabalho de direção em Decisão de Partir, é mesmo primoroso, caracterizado por uma decupagem bastante elaborada e criativa, além de primar também por um senso de humor muito peculiar.


Há algumas reviravoltas um tanto desnecessárias na trama mas, graças ao talento narrativo do diretor e corroteirista, isso não chega a comprometer o resultado.

Faltou apenas um pouco mais daquela deliciosa violência estilizada que normalmente caracterizava os melhores trabalhos de Park Chan-Wook, assim como ocorria no já citado e clássico Oldboy.


Obs: o "sadismo engajado" e pseudo-feminista da coprotagonista chegam a lembrar a personagem principal de Audition (1999), do célebre diretor japonês Takashi Miike. Mas de leve, bem de leve.


Em determinados momentos, Decisão de Partir pode até não parecer propriamente um filme de Park Chan-Wook mas, sem sombra de dúvida, é tecnicamente muito bem realizado e só comprova que a Coréia do Sul é, atualmente, uma autêntica super potência cinematográfica.


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