MULHER - MARAVILHA 1984 (WONDER WOMAN 1984)



DE VOLTA ÀS ORIGENS


por Ricardo Corsetti

É no mínimo curioso que a nova encarnação da mais célebre heroína de todos os tempos, ao contrário da mulher "empoderada e engajada na causa da emancipação feminina" que vimos no filme anterior (Mulher-Maravilha, 2017), também dirigido por Patty Jenkins, dê aqui lugar a uma mulher, digamos assim, bem mais anos 80 mesmo, ou seja: comandada pelo clássico ideal romântico da busca pelo príncipe encantado na figura do piloto Steve (Chris Pine).

A estética repleta de elementos oitentistas, aliás, é um dos pontos altos do novo filme sobre a clássica heroína, também protagonizado pela belíssima e ultra carismática Gal Gadot (Alice Guy - A História Não Contada Sobre a Primeira Cineasta, 2019). Até mesmo o inesquecível avião invisível que, com certeza, povoa o inconsciente coletivo de todo indivíduo com mais de 40 anos e que, portanto, via a série televisiva Mulher-Maravilha - aqui exibida nos anos 80 -, não foi esquecido nesse filme com puro sabor de saudosismo.


Merece também destaque, o folhetinesco (ou seria quadrinesco?) vilão Maxwell Lord, brilhantemente vivido pelo ator chileno Pedro Pascal (Operação Fronteira, 2019) e que, para nós brasileiros, acaba funcionando como piada involuntária, pois é a cara do já saudoso apresentador televisivo Gugu Liberato (10/04/1959 - 21/11/2019).


Embora bastante divertido em termos gerais, Mulher-Maravilha 1984 chega a cansar em alguns momentos, devido a sua desnecessariamente longa duração: 2 horas e 31 minutos.



As claríssimas menções ao famigerado período da Guerra Fria entre os EUA e a ex-URSS, além de previsíveis e até inevitáveis num filme ambientado em meados dos anos 80, não chegam a comprometer o resultado de um filme, ou melhor, uma megaprodução que, obviamente, jamais deve esquecer seu caráter primordial enquanto obra voltada ao entretenimento.


Entre erros e acertos, o saldo final é bastante positivo em Mulher-Maravilha 1984, que ousa, na minha modesta opinião, optar por uma protagonista bem mais real enquanto ser humano (apesar de sua origem não convencional), em vez da heroína forçadamente perfeita do filme anterior que abriu a nova franquia, em 2017.


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