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NINGUÉM É DE NINGUÉM



UMA TENTATIVA DE FILME



por Ricardo Corsetti


Desde quando, em 2008, a dupla de diretores Glauber Filho e Joe Pimentel realizaram o longa-metragem Bezerra de Menezes, o mercado audiovisual brasileiro descobriu um novo filão de cinema de gênero: o filme espírita.

E apenas dois anos depois, em 2010, o diretor/roteirista do recente Ninguém É Perfeito, Wagner de Assis, dirigiu Nosso Lar, outro grande pilar deste novo subgênero cinematográfico brasileiro.


No entanto, ao contrário do que ocorre em seu bem sucedido e competente filme espírita anterior, Assis erra feio a mão em seu mais recente trabalho.


Atuações equivocadas, mau desenvolvimento do roteiro adaptado da obra literária homônima de Zíbia Gasparetto (1926 - 2018) e até mesmo um estranho estilo de direção, caracterizado por planos (enquadramentos) estranhos e que não funcionam dramaturgicamente, marcam este filme, infelizmente, bastante equivocado.


E no que se refere às atuações, somente Carol Castro (Perigosa Obsessão, 2004) parece encontrar o tom adequado à sua personagem. Danton Mello (Superpai, 2015), por sua vez, apresenta um desempenho apenas mediano como protagonista. Já a bela Paloma Bernardi (Aldo - Mais Forte que o Mundo, 2016) nos oferece um show à parte, mas no mau sentido, pois a composição de sua vilã é involuntariamente hilária, graças ao tom extremamente over (exagerado) de sua atuação. Com certeza, nem mesmo uma típica vilã de novela mexicana televisiva seria capaz de bater a atuação de Bernardi, em termos de exagero cênico (risos).



Outro erro primário - e típico do cinema de gênero made in Brazil - cometido em Ninguém É de Ninguém é tentar copiar a clássica cena dos fantasminhas que carregam os desencarnados do mal rumo às profundezas, claramente inspirada em Ghost - Do Outro Lado da Vida (Jerry Zucker, 1990). Detalhe: 33 anos após sua realização, quando revemos a produção norte-americana citada, tal cena (efeito especial) ainda funciona bem. O mesmo, porém, não se pode nem de longe se dizer a respeito da "réplica" tupiniquim.


É, ao que parece, pouco mais de uma década após sua criação, o filme/cinema espírita à brasileira começa mesmo a apresentar claros sinais de esgotamento.


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