O PODEROSO CHEFINHO 2: NEGÓCIOS DA FAMÍLIA (The Boss Baby: Family Business)

MAIS DO MESMO COM COMPETÊNCIA


por Ricardo Corsetti Não há mesmo dúvidas a esse respeito: a transformação de todo filme de sucesso (em qualquer gênero) em franquias multimilionárias por parte dos grandes estúdios, é mesmo algo que, com certeza, jamais deixará de ser a regra. Com O Poderoso Chefinho, realizado originalmente em 2017, isso não poderia ser diferente. E o que há em comum entre praticamente todos os filmes que geram estas franquias (independente do gênero cinematográfico ao qual pertencem) é o quanto a habilidade dos diretores e roteiristas recrutados para colocar em prática as continuações é eficiente no sentido de reaproveitar (retrabalhar) os elementos que deram certo no filme de origem, além, é claro, de acrescentarem novos elementos que possam gerar o interesse de um público ainda mais vasto e variado. Ponto para O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família, neste sentido. Pois o diretor/co-roteirista Tom McGrath (Gato de Botas, 2011) mostra-se muito eficiente em reaproveitar os personagens principais do primeiro filme, transportando-os agora para o mundo adulto e assim, obviamente, fazendo com que eles lidem com os problemas característicos da vida adulta, suas inevitáveis responsabilidades, etc.

Os irmãos Tim e Ted, dublados respectivamente por James Marsden (Sonic - O Filme, 2020) e Alec Baldwin (A Fuga, 1994) continuam a lidar com a diferença de personalidade que sempre os afastou, desde crianças, mas agora agravada pelas enormes responsabilidades que a vida na maturidade fatalmente gera a todos nós. Enquanto Tim agora leva uma vida agora pacata e sem maiores novidades como pai de família num típico subúrbio norte-americano, seu irmão Ted se tornou um mega- empresário de caráter, digamos assim, um tanto duvidoso. A consequente lição de moral que o filme nos trará mais adiante, ressaltando a importância da família como valor absoluto, acima de quaisquer interesses individuais, etc; é válida e interessante por ter como pano de fundo a figura de Ted como um indivíduo egoísta e inescrupuloso que, obviamente, viverá uma transformação ao se reaproximar do irmão "correto", Tim. Porém, é justamente por isso que o filme não avança em relação ao lugar comum do cinema de viés comercial, destinado às grandes plateias, tentando nos vender a ideia de que dinheiro não compra a felicidade e coisas do gênero, ao mesmo tempo em que, contraditoriamente, é justamente este tipo de filme (e com esta temática) que alimenta uma bilionária indústria do entretenimento, onde o único e primordial objetivo é apenas gerar lucro, não é mesmo?

Os méritos técnicos de O Poderoso Chefinho 2, porém, são indiscutíveis. E em grande parte se devem à parceria da Universal com a gigante do universo (para não perder o trocadilho) dos filmes de Animação, DreamWorks. O que, consequentemente, resulta num filme que, em termos técnicos não deixa nada a desejar em relação às mais caras produções da Disney, por exemplo. Embora não consiga abandonar o lugar comum temático das grandes lições de moral típicas de um filme "destinado à toda família", O Poderoso Chefinho 2, em resumo, cumpre bem sua função graças a um acabamento técnico impecável e, sim, também a uma trama que, embora padronizada, flui bem, tem personagens carismáticos e diverte o espectador padrão.