PAPAI É POP




VELHA FÓRMULA, SENDO BEM UTILIZADA


por Ricardo Corsetti


Comédia brasileira contemporânea com a presença de astros televisivos quase sempre é sinônimo de filme "inassistível". Mas, felizmente, Papai É Pop se revela como uma bela exceção a essa regra.

Seguindo mais ou menos a fórmula consagrada pelas comédias românticas norte-americanas, mas com muita personalidade, o experiente Caito Ortiz (diretor do já lendário documentário Motoboys - Vida Louca, 2003), conduz com muita sensibilidade, e senso de humor na medida certa, essa agradável surpresa ao gênero.


É fato que o inegável carisma do casal de protagonistas Lázaro Ramos (Madame Satã, 2002) e Paolla Oliveira (Entre Lençóis, 2008), bem como do ótimo elenco de apoio: Elisa Lucinda (Por que Você Não Chora?, 2021) e Leandro Ramos (Cabras da Peste, 2021), colabora em muito, no sentido de conduzir a trama. Mas é também fato que até mesmo eu - que jamais passei pela experiência real de ser pai - consegui me envolver e me emocionar com as dores e delícias do pai de primeira viagem, se esforçando ao máximo pra dar conta do recado.


Direção segura e sensível, combinada a um bom roteiro adaptado da obra homônima do escritor Marcos Piangers, resultam num filme divertido e, ao mesmo tempo, profundamente verdadeiro.



Destaque para a cena em que o protagonista vivido por Lázaro Ramos, pouco tempo após conseguir se adaptar à difícil tarefa de conciliar seu trabalho com as responsabilidades de pai de primeira viagem, é demitido de seu emprego na área de T.I. (Tecnologia da Informação), sob o velho pretexto de "queda de produção". Quando seu chefe (ao qual até então, ele via como um amigo) usa o clássico argumento do: "Olha, isso não depende de mim, os caras lá de cima é que decidiram isso". Ao que o protagonista retruca: "Mas que caras lá de cima? Essa p... aqui só tem um andar". É, eis o mundo corporativo...


Belo e divertido filme, conforme já mencionei antes, uma grata surpresa. Merece uma boa conferida!