ZOOM


Antropofagia Cinematográfica

Na história do cinema, é bastante frequente o estilo de filme multiplot (com várias tramas), às vezes independentes, mas quase sempre interligadas. No caso de Zoom, uma história alimenta outra, que alimenta outra, que alimenta a primeira. Como num caleidoscópio.

O semi-estreante Pedro Morelli - que estreou codirigindo o excelente longa Entre Nós (2013) ao lado de seu pai Paulo Morelli - teve a ideia do filme após uma proposta do produtor canadense Niv Fichman de fazer um filme que fosse inventivo, original. O fato ocorreu durante as filmagens de Ensaio Sobre a Cegueira (2008) onde o diretor era estagiário.

A ideia ficou muito interessante e teve o roteiro escrito por Matt Hansen, mas derrapa ao desenvolver três histórias que se mantém na superficialidade.


Na primeira, Emma (Alison Pill) é uma funcionária de uma fábrica de bonecas infláveis que sonha ter seios grandes e possui como o hobbie desenhar histórias em quadrinho. Na segunda trama, a modelo Michelle (Mariana Ximenes) tenta escrever seu primeiro romance, mas é tolhida por seu marido Dale (Jason Priestley). Por fim, Gael Garcia Bernal interpreta Edward, um cineasta contratado para dirigir um filme comercial, mas deseja fazer filme de arte.


Gael é apresentado em animação - inicialmente bem simples -, quase esboços que aos poucos vão entrando cores, detalhes, até se tornarem reais como as imagens em live action (quando é filmado com atores reais). A animação foi feita usando a técnica de rotoscopia, que é quando os atores são filmados cena a cena e depois desenhados quadro a quadro, o que dá maior sensação de realidade à animação.


Apesar de certa superficialidade das tramas, o roteiro acerta ao apresentar alguns exageros que depois são explicados por se tratarem de cenas de um filme dentro do filme. O diretor também faz a escolha correta ao trazer a personagem de Mariana Ximenes ao Brasil e colocá-la falando português ao invés de inglês, como muitas produções fazem visando o mercado internacional.


Com imagens muito interessantes - realizadas pelo experiente diretor de fotografia Adrian Teijido (O Palhaço, 2011) - o maior acerto do filme é a montagem do também experiente Lucas Gonzaga (Presságios de um Crime, 2015), que conseguiu equilibrar elementos tão diversos das três histórias de forma eficiente e sem perder o ritmo.


Apesar de ser melhor na forma do que no conteúdo, Zoom é uma bela experiência de estilo e tem possibilidade de se tornar um cult movie, como Corra Lola Corra (1998), Réquien para um Sonho (2000) e Valsa com Bashir (2008).

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