
O MELHOR DO CINEMA CONTEMPORÁNEO ITALIANO
por Ricardo Corsetti
Em 22/06 foi realizada a Cerimônia de Abertura - para convidados - da 13ª edição do Festival de Cinema Italiano 8 e Meio, no Espaço Petrobrás de Cinema em São Paulo.
O filme escolhido para essa sessão de abertura, foi Fuori, cinebiografia da atriz e escritora italiana Goliarda Sapienza (1924- 1996), indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2025.
Dirigido com muita sensibilidade pelo diretor e roteirista italiano Mario Martone (Nostalgia, 2022), Fuori retrata o período em que a protagonista, interpretada magistralmente por Valeria Golino (Respiro, 2022), esteve presa e também o consequente desdobramento de tal episódio.
Realizado, simultaneamente, em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília entre 25/06 e 01/07, o Festival de Cinema Italiano 8 e Meio nos brinda com o melhor da cinematografia italiana contemporânea, tendo entre seus destaques, por exemplo, Modi - Três Dias na Asa da Loucura, cinebiografia do pintor e escultor italiano Amedeo Modigliani (1884-1920), dirigida pelo astro norte-americano Johnny Depp (Do Inferno, 2001).
Onde assistir em São Paulo e região
Na Grande São Paulo, o festival conta com exibições em locais de destaque:
Espaço Petrobras de Cinema: Programação completa até o dia 1º de julho.

NOTURNOS DE CHOPIN
por Eugênio Doroteu
O polonês Frédéric Chopin (1810–1849) habita o imaginário coletivo como um dos pilares do Romantismo musical do século XIX. Ele transformou a melancolia de seu exílio em Paris em peças para o piano de extrema sensibilidade e inovação técnica, preferindo o ambiente intimista dos salões aristocráticos à grandiosidade dos palcos para encantar o mundo com seu revolucionário uso do rubato.

A tendência das atuais cinebiografias de emoldurar a vida do biografado da vez com frequência esbarra nessa sensação agridoce, entre o desejo do público de ver a complexidade humana na tela e a covardia comercial dos estúdios, que tendem a reduzir vidas inteiras a um checklist linear e hagiográfico para transformar indivíduos falhos em santos intocáveis. Vide o recente Michael (John Logan, 2026).
Pelo menos, em termos de estrutura, Chopin, uma Sonata em Paris, dirigido pelo também polonês Michal Kwiecinski (Servindo Nazistas, 2022), tenta fugir dessa abordagem wikipédica. A narrativa opta pelo recorte mais preciso, quando o músico é diagnosticado com tuberculose e tem que lidar, da maneira dele, com a finitude de sua vida.
O trunfo na manga é que, embora flerte, o filme nunca desliza para o dramalhão choroso. Pelo contrário, ao tomar como inspiração narrativa as vinhetas de A Pior Pessoa do Mundo (Joachin Trier, 2022) , Kwiecinski pulsa no paradoxo da efemeridade de estar vivo e a urgência de criar arte imortal.

Isso é bem ilustrado quando, ao acordar depois de cinco dias acamado, Chopin, interpretado por Eryk Kulm (Boxer, 2025), se ressente por terem sido cinco dias sem pegar no piano. Aproveitando a deixa, sim, o ator teve que aprender a tocar, e a câmera não se esquiva de esgarçar o resultado do treino.
Para os mais velhos, impossível não lembrar de À Noite Sonhamos (A Song to Remember), clássico da Columbia Pictures lançado em 1945 e dirigido por Charles Vidor, indicado a seis Oscars. Mesmo com toda a propaganda nacionalista em tempos de Segunda Guerra Mundial, a trilha sonora de José Iturbi atravessou gerações.
Uma das produções mais caras da cinematografia polonesa (e vê-se na tela toda a plasticidade investida), essa Sonata em Paris pode até passar longe do mesmo efeito. Entretanto, não faz nada feio.

PARODIANDO A SI MESMO, EM PRIMEIRO LUGAR
por Ricardo Corsetti
É fato indiscutível que a benção/maldição das intermináveis franquias no cinema norte-americano, realmente, veio pra ficar, pois, simplesmente não há gênero cinematográfico que tenha ficado de fora dessa tendência. Do romance juvenil (disfarçado de terror) Crepúsculo (Catherine Hardwicke, 2008) ao teenager slasher de Pânico (Wes Craven, 1996), ninguém ficou mesmo imune à, digamos assim, reciclagem sem fim.

No já longínquo ano de 2000, os irmãos atores/roteiristas: Marlon e Shawn Wayans (sim, os inesquecíveis protagonistas da pérola As Branquelas (Keenen Ivory Wayans, 2004), tiveram a grande sacada de parodiar de forma cômica, a então - e extremamente bem sucedida - franquia Pânico, iniciada em 1996, por Kevin Willianson e Wes Craven (1939-2015), adicionando insanas pitadas de humor ao terror adolescente da franquia base.
Agora, exatamente 26 anos após o primeiro filme de sua insana - e bem sucedida - franquia, os irmãos Wayans lançam Todo Mundo Em Pânico 6, seguindo, basicamente, a mesma fórmula utilizada, ao longo desses 26 anos: humor politicamente incorreto e paródico.
Por um lado, é delicioso ver que - em pleno 2026 -, ou seja, num momento em que o cinema internacional (sobretudo norte-americano) se tornou absolutamente refém do politicamente correto imposta pelas demandas e militância identitária, é ainda possível existir um filme produzido por um grande estúdio, inclusive, que não tem medo de "chutar o balde", se utilizando de piadas que não poupam absolutamente ninguém: negros, homossexuais, etc.

Porém, embora divertidíssimas, as piadas de Todo Mundo Em Pânico 6, muitas vezes, talvez até pelo fato de buscarem sacanear o "bom mocismo" do qual o cinema contemporâneo se tornou refém, acabam, no entanto, se revelando extremamente previsíveis.
Felizmente, para equilibrar o jogo, algumas atuações, são simplesmente impagáveis como, por exemplo, a mãe irresponsável e viciada - embora politicamente conservadora -, vivida pela ótima Anna Faris (A Casa das Coelhinhas, 2004) e, claro, o influencer maconheiro, vivido por Marlon Wayans (As Branquelas, 2004) em atuação, aliás, claramente inspirada no inesquecível surfista lesado, vivido por Sean Penn no clássico Picardias Estudantis (Amy Heckerling, 1982).
Entre erros e acertos, no geral, o saldo é bastante positivo em Todo Mundo Em Pânico 6, graças a sua tentativa de sacudir a irritante monotonia "engajada" do cinema de hoje em dia.









































