top of page
Postagens recentes

A ODISSÉIA DE PARTHENOPE


por Eugênio Doroteu


Uma mulher nascida no mar de Nápoles busca a felicidade durante os longos verões de sua juventude, apaixonando-se por sua cidade natal e seus muitos personagens memoráveis.



Paolo Sorrentino (A Grande Beleza, 2013) constrói, em Parthenope – Os Amores de Nápoles, uma odisseia existencial que acompanha a vida da personagem título, vivida por Celeste Dalla Porta, desde o seu nascimento nas águas de Nápoles nos anos 1950 até a sua velhice, traçando um panorama que entrelaça as desilusões amorosas, as perdas familiares e a busca acadêmica de uma mulher comum que carrega o nome do mito fundador de sua cidade.


Sorrentino consolida o que pode ser visto como uma trilogia estética e temática iniciada em A Grande Beleza, e perseguida em Juventude, de 2015, uma vez que o cineasta retorna aos seus temas prediletos: a passagem implacável do tempo, a decadência aristocrática, a melancolia da memória e a busca incessante pelo sublime em meio ao grotesco da condição humana. Se Roma e os Alpes Suíços serviram de palcos anteriores, aqui a mítica ilha que dá título ao filme e a própria cidade de Nápoles funcionam como a costura histórica, cultural e geográfica essencial para o arco dramático de Parthenope, onde a paisagem mediterrânea não é mero cenário, mas o espelho da alma da protagonista.

O filme se lança em uma busca obsessiva por sua própria beleza plástica, capturada em uma fotografia que personifica esse ideal estético quase como um fetiche na figura de Celeste Dalla Porta; a câmera não esconde que a idolatra, transformando sua juventude e seus traços em uma representação da perfeição.


Contudo, por trás desse deslumbre quase hipnótico, Sorrentino mergulha em uma camada de amargura ao comentar a solidão incontornável que, na visão do diretor, a beleza inevitavelmente traz, sugerindo que ser o objeto de desejo e de adoração funciona como uma barreira invisível, condenando a protagonista a uma existência isolada, onde todos a enxergam, mas poucos a alcançam de verdade.


Parthenope – Os Amores de Nápoles está disponível no catálogo da Filmelier +.




por Ricardo Corsetti


No dia 22/04, foi realizada, em São Paulo, a abertura do 2º Festival Imovision de Cinema Europeu, com a presença de convidados ilustres, tais como o renomado diretor espanhol Julio Medem (autor dos clássicos Os Amantes do Círculo Polar (1998) e Lucia E O Sexo, (2001), divulgando seu mais recente trabalho: 8 Décadas de Amor (2025) que, obviamente, foi exibido durante o festival.


Também esteve presente a bela atriz italiana Barbara Ronchi (Belos Sonhos, 2016), divulgando a cinebiografia por ela protagonizada: Diva Futura - Cicciolina E A Revolução do Desejo (2025), longa também exibido, durante o festival.


Conforme foi apresentado pelo proprietário da distribuidora Imovision e também do cinema paulistano Reserva Cultural, Jean-Thomas Bernardini, entre os dias 23 e 29/04, serão exibidos um total de 14 filmes inéditos e premiados, oriundos de 6 países europeus: França, Alemanha, Itália, Espanha, Suíça e Polônia.


Após uma breve apresentação e debate com os já citados convidados sobre os filmes dos quais participaram, a sessão de abertura, finalmente foi inaugurada pelo divertido filme polonês Erupcja (2025), longa de estreia do jovem diretor Pete Ohs.


Divertido misto de comédia romântica com drama, Erupcja tem ritmo frenético e chega a lembrar os primeiros trabalhos do diretor britânico Danny Boyle - Cova Rasa (1994) e Trainspoting (1996), além de possuir algumas semelhanças com o estilo do movimento dinamarquês Dogma 95, idealizado pelos diretores Lars Von Trier (Os Idiotas, 1998) e Thomas Vinterberg (Festa De Família, 1998), tais como: narração em off, flerte com o melodrama e estética crua e direta.


Protagonizado pelas belas e talentosas atrizes: Charlie XCX (UglyDolls, 2019) e Lena Góra (Uma Noite No Jardim de Infância, 2024), Erupcja pode até não ser um grande filme, mas cumpre bem sua proposta de nos apresentar, de forma leve e bastante jovem, as inevitáveis dores e delícias, sempre associadas aos relacionamentos e consequentes (inevitáveis) desilusões amorosas.


Em sua segunda edição, o Festival Imovision de Cinema Europeu, sem a menor dúvida, já é um marco e ponto de encontro para a cinefilia brasileira e, sobretudo, paulistana e carioca, afinal, vale lembrar que ele ocorreu, simultaneamente, em São Paulo (capital) e Niterói (Rio de Janeiro).

E que venha logo a terceira edição do Festival no ano que vem. Já estamos ansiosos! 



O BRASIL NÃO É PARA AMADORES 


por Ricardo Corsetti 


Sem a menor dúvida, em mãos mais experientes, uma trama baseada em fatos reais que envolve uma conspiração internacional para matar dois ex-presidentes da República poderia render um filmaço no estilo thriller político, etc. Porém, graças à visível pouca experiência como diretor de André Sturm (Sonhos Tropicais, 2001), infelizmente, o resultado aqui, deixa a desejar.



A Conspiração Condor (2025) aborda, misturando fatos e personagens reais a detalhes e personagens também fictícios, um dos períodos mais conturbados da história recente de nosso país. O filme apresenta a sempre escusa relação entre o Regime Militar Brasileiro (1964-1984) e os interesses norte-americanos (leia-se, grandes corporações norte-americanas), capazes de conduzir ao quase inacreditável plano (conspiração) para assassinar (simulando acidentes ou causas naturais) dois entre os mais importantes ex-presidentes da historia de nossa República: Juscelino Kubitschek (1902-1976) e João Goulart (1919-1976).


Ah, meu Brasil brasileiro, um país que, conforme já dizia o saudoso maestro Tom Jobim (1927-1994), realmente "não é para amadores". Vale lembrar - inclusive - que, segundo o célebre sociólogo Octavio Ianni (1926-2004), caso o projeto nacional desenvolvimentista empreendido pelos ex-presidentes acima citados, não tivesse sido interrompido, hoje, "o Brasil seria, sem dúvida, um país de Primeiro Mundo".

Enfim, voltando a falar sobre o filme propriamente dito, Conspiração Condor funciona, sobretudo, graças à relevância e atemporalidade do tema abordado, bem como pelo ótimo elenco: Mel Lisboa (Atena, 2025), Marat Descartes (Corpo Presente, 2012), Nilton Bicudo (Os Farofeiros 2, 2023), Zé Carlos Machado (Ação Entre Amigos, 1998), etc.


Porém, a pouca inspiração, digamos assim, de Sturm se reflete até mesmo no tom equivocado de atuação por parte dos ultra experientes Dan Stulbach (Viva Voz, 2003) e María Manoella (A Mulher Invisível, 2009); com o agravante de que os respectivos personagem por eles vividos são fundamentais ao desenvolvimento da história.



Em resumo, não obstante errar na decupagem, utilizando ângulos e planos equivocados, bem como no ritmo do desenvolvimento narrativo, o diretor erra também em termos de direção de atores, em alguns casos.


Há, ainda, equívocos em termos de direção de arte no que se refere à restituição de época e ambientação cênica pois, sinceramente, aquela redação de jornal, com meia dúzia de jornalistas num ambiente tão tranquilo, realmente chega a ser constrangedora. 


Destaque para a homenagem a Rubens Ewald Filho (1945-2019), feita de forma discreta e só perceptível para cinéfilos minimamente familiarizados com a história da crítica cinematográfica no Brasil.


É mesmo uma pena que, com uma base tão rica em termos de material para roteiro, aquele que poderia ser, finalmente, o grande thriller político made in Brazil, no fim das contas tendeu apenas um filme bastante mediano. 



Search By Tags
  • Facebook Classic
  • Twitter Classic
  • Google Classic
Featured Posts
Follow Us

Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

bottom of page