TRUQUE DE MESTRE - O SEGUNDO ATO ( Now You See Me 2)


Metáfora do momento atual

Não é novidade que o ilusionismo fascina há décadas, e levar uma arte intrigante e meticulosa para o universo cinematográfico poderia ocasionar o risco de ter efeitos especiais em demasia que estragariam o intento principal. Porém, utilizando um elenco primoroso, estratégia de pensamento voraz e humor na medida, o diretor Jon M.Chu (G.I. Joe - Retaliação, 2013) repete a receita e faz de Truque de Mestre - Segundo Ato, a continuação mágica estreando primeiramente no Brasil.


Desmitificando o dito popular que diz “em time que se ganha não se mexe", há uma troca vagamente justificada entre as atrizes Isla Fisher (Delírios de consumo de Becky Bloom, 2009) por Lizzy Caplan (Cloverfield, 2008) e a adição de Daniel Radcliffe (Harry Potter, 2001 a 2011) na trama, causando um impacto significativo ao apresentá-lo com maturidade suficiente para causar repúdio ao seu personagem.


Os jovens ilusionistas intitulados “Os Quatro Cavaleiros” prosseguem na sociedade secreta O olho, com a colaboração do agente do FBI interpretado por Mark Rufallo (Spotlight, 2015) realizando truques maiores para roubar um artefato tecnológico capaz de expor a vida de qualquer pessoa em todo o mundo. Radcliffe aparece como o filho ambicioso do magnata Arthur Tressler - interpretado por Michael Caine (Interestelar, 2014) - e os coloca em situações de tensão e perigo iminente. O desmistificador Thaddeus Bradley (Morgan Freeman - vencedor do Oscar 2005 por Million Dollar Baby) cumpre pena e transita entre o acerto de contas e a busca pela verdade.

Há um paralelo de metáforas condizentes à corrupção, estelionato, chantagem em determinadas situações políticas onde a justiça feita com as próprias mãos é apresentada de modo ironicamente leve. A receita de sucesso da continuidade é a utilização de truques de ilusionismo bem orquestrados, com justificativas, efeitos especiais direcionados aos truques e sutis momentos de tensão, que auxiliam o espectador a montar o quebra-cabeças da história. Quando restam poucas peças para terminar, um segundo ato vira o jogo. A trilha-sonora propicia clareza de raciocínio e - aliado ao ritmo do desfecho do filme - mantém tranquilamente o espectador por 130 minutos atento a cada cartada.


Trata-se de um filme não apenas de entretenimento, como de questionamento de caráter. Há mudanças estratégicas constantes, onde o ilusionismo sutil remete à questão da manipulação do poder e roubo justificado. Afinal, se toda a história possui dois lados e duas verdades, o conceito de certo e errado é transitório, é certo roubar por justiça?

O momento atual propõe a divulgação de cada ação em redes sociais, onde todos os passos dados são observados por alguém de modo imperceptível levado sob o fascínio de ser notado. Algumas essências se perdem e tudo se torna discutível, duvidoso, e rapidamente perde-se a linha entre realidade e mentira.

Seguindo o título original “Now you see me” (Agora você me vê) conduz ao pensamento do que é suficientemente grandioso para ser feito com o intuito de ser notado pela sociedade.

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