WARCRAFT - O primeiro encontro de dois mundos (Warcraft)


Mais promessas

Há muito tempo, os cinemas vêm tentando replicar o sucesso do games nas telonas, principalmente agora que a indústria do videogame lucra do mais que Hollywood em um ano fiscal, contudo sempre falharam miseravelmente, tendo algumas exceções em um oceano de decepção. Então, Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois Mundos, prometia não só definir os filmes baseados em jogos - parecido com o que X-Men (2000) fez para os quadrinhos - como também preencher o vazio que a franquia O Senhor dos Anéis deixou.


Azeroth, um mundo mágico cercado de elfos, anões e homens cuja união dura anos, vê sua terra atacada pelos temíveis Orcs da Horda, guiados por uma magia negra que pode acabar com tudo. Cabe ao comandante Anduin Lothar (Travis Fimmel) liderar a aliança para a vitória. Contudo existem Orcs como Durotan (Toby Kebbell), que enxerga o mal que essa guerra pode causar em ambos lados e decide ajudar aos humanos antes que seja tarde demais.


Duncan Jones é um bom diretor. No seu currículo existem longas competentes como Contra o Tempo (2011) e Lunar (2009), mas mesmo assim não foi capaz de perceber os pequenos detalhes para lapidar seu épico em uma pedra brilhante.

É fascinante o domínio que ele tem sobre o conteúdo do universo de Warcraft, chega a ser rico e lindo as paisagens vistas em tela. O problema fica por conta da narrativa que seu diretor aborda e a pressão de ser um fenômeno, que tirou a chance desse filme ser um dos melhores de sua geração.


A ineficiência para contar uma história é nítida. O filme tem dois núcleos definidos logo no início, entre Humanos e Orcs. O senso de grandeza é sentido pelo público imediatamente, parecendo que todas as promessas foram compridas, junto de uma trilha-sonora digna de um filme épico. Porém, quando as engrenagens do roteiro escrito Charles Leavitt (No Coração do Mar, 2015) e pelo próprio diretor começam a girar, ambos os núcleos são poluídos por muitos personagens, que acabamos não tendo tempo de conhecer, sendo logo descartados de maneira indigesta. Cenas que precisam ter impacto, perdem a força por causa da poluição desnecessária.

O longa-metragem aborda a mensagem clara de que guerra é ruim, uma mensagem batida para os amantes de cinema. Talvez se tivesse estreado antes teria alguma chance de reclamar seu lugar nas estrelas, contudo, o que sobra é uma película fora do seu tempo, tentando dar o passo maior que a perna.


Ao menos em sua narrativa - além dos furos de roteiro evidentes - é justo dizer que a obra chega a ser ousada, o que surge como vantagem para aqueles que precisam de uma continuação. Porém, isso é só um aperitivo, para o que dizia ser um prato completo.


O fã dos jogos vai se sentir em casa, diferente de outras adaptações onde existe uma preocupação de contar a história para quem nunca jogou os games. Warcraft aposta que seu universo é o suficiente para chamar atenção dessas pessoas leigas ao mundo dos jogos. O problema de uma aposta assim é que se pode perder.

É triste ver isso. Um filme que tinha tudo para ser um divisor de águas em Hollywood, mas sua ambição acaba cegando os envolvidos para a bagunça que o enredo manifesta. Se perdendo em um ritmo rápido, que precisaria ser gastado nos personagens e não no mundo fantástico proposto.


Mesmo com os criadores colaborando junto ao cineasta para não errar mitologia dos jogos, não conseguiram perceber que tudo que os jogadores querem é uma boa história nesse universo espetacular. Warcraft vira mais uma promessa não comprida, talvez os games não possam virar filmes, ao menos espero estar errado.

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