VIDA SELVAGEM (Vie Sauvage)


Visão original, apesar das feministas

No cinema são vários os filmes que abordam casos de sequestro de crianças, normalmente melodramas apelativos que contam o fato pela ótica da mãe. O belo e contido cinema francês dá mais uma mostra de sua qualidade ao apresentar a trama pela ótica do pai, o sequestrador no filme Vida Selvagem.


O filme começa com Nora (Céline Sallette) fugindo - com seus três filhos - do trailer em que vive com seu marido Paco (Mathieu Kassovitz). Revoltado, o pai vai até a casa de seu sogro, mas não consegue reaver as crianças. Após alguns meses, aproveita-se das férias que poderá passar com os filhos Okyesa (Sofiance Neveu), de 8 anos, e Tsali (David Gastou), de 9 anos, e foge com eles.


Através de flashbacks, somos apresentados à história do casal, que se conheceu num acampamento hippie e decidiram morar juntos no trailer. Nora já tinha um filho do primeiro casamento de nome Thomas (Tara-Jay Bangalter), de 11 anos.


Durante os onze anos em que o pai viveu escondido com os filhos, a mãe aparece apenas uma vez numa foto de jornal, voltando a aparecer somente no final da trama. Esta opção do diretor Cédric Kahn (Os Anarquistas, 2014) - que assina o roteiro com Nathalie Najem (A Virgem, os Coptas e Eu, inédito) - talvez incomode feministas ou jornalistas, por parecer uma visão parcial dos fatos, mas sem dúvida é uma abordagem atípica do tema.

Apesar disso, o filme não demoniza nem defende ninguém, apresentando um pai verossímil, que luta para sustentar seus filhos de forma alternativa. Uma família que tem suas brigas, como todas as outras.


Outro mérito de Cédric está em conduzir o elenco de forma irretocável, conseguindo excelentes interpretações não só de Mathieu e Céline, como também de Jules Ritmanic (21 Nights With Pattie, inédito) e Romain Depret, que interpretam Okyesa e Tsali na adolescência.


Capturado em 2009, o pai recebeu uma pena de 2 anos de prisão. O caso ganhou todas as manchetes, sendo que o mais curioso foi que ele não fugiu para um local desconhecido para conseguir se esconder, mas sim, viveu próximo à cidade, morando no campo, na montanha, à beira de rios, etc.

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