LIFE - Um retrato de James Dean (Life)


Falta verdade e rebeldia

James Dean é uma lenda no mundo do cinema, um ator talentoso que se foi cedo demais, mesmo assim deixou várias histórias para contar, contos sobre o rebelde sem causa. Life – O Retrato de James Dean usa isso como trunfo na biografia de uma dessas lendas.


O filme aborda as fotos da revista Life no momento em que James Dean começava sua ascensão ao estrelato e também começava a ter sinais de depressão com a fama repentina. Dentro disso, acaba conhecendo o fotógrafo Dennis Stock (Robert Pattinson), que está tentando fazer carreira nesse meio. Stock vê no ator a grande oportunidade, fotografando-o para a famosa revista.


A proposta apresentada no roteiro é muito boa, ao contar uma história por trás do glamour de Hollywood, algo que reflita a humanidade de um astro por muitos considerado uma divindade artística. A excelente premissa, crua e madura mostrando o que está por trás da lente, não é bem realizada pelo diretor Anton Corbijn (Controle - A História de Ian Curtis, 2008).


O problema já começa na escolha de elenco. Existe uma escalação honesta de Dane Dehaan (Poder Sem Limites, 2013) como James Dean, tendo uma serenidade e inocência em sua atuação que parece nunca alcançar a excelência das atuações de Dean, e em contraparte tem Robert Pattinson (Crepúsculo, 2008), fazendo o que sabe fazer de melhor: ser uma parede. O ator é inexpressivo, parece feito de mármore. Até mesmo quando a cena precisa de sentimento verdadeiro, ele não consegue, e isso se expande por todo o longa.

Apesar dos lampejos de genialidade que por uma ou duas vezes surge na tela, o filme não consegue achar o ritmo certo para os fatos verídicos. Não existe verdade nas filmagens, fica um sentimento de que talvez o cinema não fosse o lugar dessa produção, que precisava de ousadia na sua narrativa.


A trilha sonora talvez seja a única coisa que se sobressai em todo o filme, embalado por muito Jazz com pitadas de Rock and Roll dos anos 50, o que ajuda a carregar a película. Tanto que é uma ótima experiência fechar os olhos e apreciar todo o balanço que o som proporciona, o que já era de se esperar para um diretor que tem uma biografia musical.


No geral, é um longa-metragem blasé, que falha em capturar a essência da filosofia deixada por James Dean. Torna-se uma experiência maçante com atuações questionáveis, não a tem coragem de retratar a solidão que a arte pode trazer para os seus gênios, falta rebeldia que James Dean colocava em seus papéis. A única coisa real disso tudo são as próprias fotos que geraram o filme.

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