MERCURIALES (idem)


Complexidade Temperamental

Incompreensível e com vazios desnecessários, Mercuriales - o primeiro longa metragem dirigido pelo ator Virgil Vernier (A batalha de Solferino, 2013) - é desconexo ao ponto de deixar os espectadores decepcionados.

Mercuriales são dois prédios comerciais de diferentes segmentos no qual transitam muitas pessoas. Dentre elas, destacam-se duas garotas deslocadas e com passados complicados que se tornam amigas. Lisa (Ana Neborac, de O Torneio, 2015) e Joane (Philippine Stindel) desenvolvem algo mais próximo de amizade sem dar margem a uma relação homoafetiva. Apenas mostra que atração caminha lado a lado entre elas enquanto sonhos e projetos desmoronam ao redor.


O filme é extremamente inerte, passamos boa parte dele observando os diálogos entre as duas garotas com a impressão de preencher os constantes vazios que não fluem, apenas ocupam tempo. Por outro lado, um jovem segurança que - assim como as meninas - parece procurar um lugar na sociedade onde se encaixar. Em suas poucas aparições parece dar um sentido maior e mais interessante, porém é mal explorado por Vernier.


Do mesmo modo, outros coadjuvantes aparecem em breves momentos, mas despertam interesse maior, como Nadia (Jad Solesme), filha de sua amiga Zouzou (Annabelle Lengronne, de A vida vai melhorar, 2011). A força com que as duas personagens constroem a atração, o amor platônico que não se consome, caminha paralelo ao sonhos inalcançáveis e leva a vida a constantes ruínas.


Mercuriales é um filme que não desenrola, não tem padrões e desfere comentários atuais da França em momentos que não se encaixam. Os momentos poéticos tiram a atenção da trama central que poderia desenvolver algo mais interessante.

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