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FESTIVAL DE CINEMA ITALIANO: AS CONSEQUÊNCIAS DO AMOR (Le conseguenze dell'amore)

  • 27 de ago. de 2016
  • 2 min de leitura

Cinema italiano em grande estilo

Engana-se quem busca um romance caricato ou lições de vida positivas e melodramáticas através do amor. O filme As Consequências do Amor - de Paolo Sorrentino (Aqui é o Meu Lugar, 2011) - trilha o limite entre a razão e a emoção em sugerir que a loucura do amor vai muito além do que o titulo aponta.

Titta (Tony Servilho, de A Grande Beleza, 2013) é um homem maduro e divorciado que vive há dez anos em um quarto de hotel na Suíça. De temperamento forte, mas sem nunca transparecer a emoção, passa aos demais uma imagem fria, dura e gera a desconfiança de hóspedes passageiros. Com seu silêncio e jeito enigmático desperta a curiosidade da barwoman Sofia (Olivia Magnani) que aos poucos o envolve e o permite se relacionar. Nela, ele deposita sua confiança, seus segredos e em parte seu amor, de modo platônico e passa a mudar seu modo de se posicionar.

Utilizando sabiamente o olhar seco e tedioso de Titta, o personagem faz com que, pouco a pouco, nosso interesse nele aumente. Surge nesse instante questões inquietantes de narrativa como o porquê dele morar no hotel. E qual a razão de seu arrependimento e silêncio em demasia.

Essas e outras questões não são explicadas em cena, Sorrentino conduz o espectador para pensar através do que se vê. Apesar de adotar um ar misterioso, o filme está longe de ser um suspense, porém não descamba para o óbvio com clichês nem final heroico. É um filme impactante, de cunho moral sem exageros ou lições de moral.

Não há escolhas de lado, caráter ou inclinações para predileções de personagens. Trata-se da realidade nua e crua da vida, do dinheiro fácil e das mudanças que o amor - ou o que acreditamos ser amor - nos induz a fazer. Aparências, poder, conquista e dominação caminham lado a lado com a paixão que conduz a trama.

O monopólio financeiro e a conquista pelo dinheiro está presente em cada desenrolar de histórias paralelas, como a de um casal de idosos - os antigos proprietários do hotel agora falidos - que aplicam pequenos golpes em jogatinas, embora mantenham a falsa ideia de aristocracia ao reter a venda de objetos valiosos e raros aos quais atribuem o passado e riqueza.


O filme - que é de 2004 - é de caráter atemporal, não há identificações como personagens sendo espelho do espectador. Reflete as escolhas que realizamos e suas consequências. É um paradoxo no qual se vive de aparências frívolas para mascarar paixões avassaladoras. O diretor utiliza flashbacks pontuais que por hora respondem as questões levantadas acima. Não há espaço para romances, a proximidade entre Titto e Sofia encaminha para a absolvição de erros cometidos, justificando em troca a ajuda ao próximo.

Quando a emoção flui livremente perde-se a razão do absoluto, do real, e tudo que há de secreto escorre sem barreiras. É um filme contemplativo, que sugere pararmos para confrontar nossos segredos ao utilizar a sensibilidade e a tensão para mostrar o transtorno da realidade como um marco de uma nova era grandiosa do cinema italiano.

 
 
 

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Também escreve esquetes de humor para internet (algumas no programa que também produziu chamado Dedo Indicador) e contos ainda não publicados. Atualmente está filmando dois curtas de sua autoria.  

 

Formado pela FACHA/RJ em Jornalismo e Publicidade & Propaganda. Fez aulas particulares com Jorge Duran (roteirista de Pixote e Lucio Flávio - Passageiro da Agonia). Fez a Oficina de Roteiro da Rio Filme e inúmeros cursos de roteiro com profissionais da área.

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