Festival de Cinema Italiano: PARO QUANDO QUERO (Smetto quando voglio)


Mensagem soterrada pela parodia

Uma grande crise econômica ocorreu dentro da Europa, que afetou diretamente a Itália. Claro que qualquer artista da sétima arte veria isso como uma oportunidade de inspiração, usando o cinema como ferramenta para mostrar pontos problemáticos da sociedade que foram expostos com a crise, podendo assim brincar com a realidade como no filme Paro Quando Eu Quero.


Pietro (Edoardo Leo) é um professor químico de uma universidade que ao se encontrar na rua sem emprego decide inventar uma nova droga que não estaria proibida na lei, possibilitando a venda. Para isso, junta professores universitários desempregados, e o que era temporário fica fora de controle. Sendo assim, decide dar fim ao império criminoso que conquistou.


Paro Quando Quero é uma paródia assumida sobre a comunidade e sua deterioração, observando os professores letrados disputando espaço para sobreviver em um mundo de caos, sem dinheiro forçados a marginalidade. Em princípio, o diretor e roteirista Sydney Sibilia - em seu primeiro trabalho - se mostra eficiente ao conceito estabelecido, emulando os filtros esverdeados dos filmes americanos em sua fotografia, até usando músicas "gringas" para acentuar o tom estabelecido pela premissa da comédia.

A mensagem que o filme passa é o suficiente para segurar você na cadeira, contudo, ao fim ele se revela desinteressante. Não a ideia que aborda, mas sim a sua execução, e ao tentar simular uma paródia usando os clichês americanos, não consegue o objetivo principal de uma comédia: ser engraçado. Sem isso o ritmo fica comprometido, prejudicando a experiência.


A paródia dentro do filme parece forçada, não consegue casar muito bem com o filme, que fica desequilibrado, perdendo o tom inicial estabelecido pelo o roteiro. A trama funciona quando aborda o absurdo dos personagens, onde todos são inteligentes, mas ingênuos ao mundo que os cerca. Quando confrontados com a própria natureza humana percebem que conhecimento não significa nada se não conseguirem pagar as contas.


Apesar das boas intenções, suas escolhas estéticas tiram muito do seu potencial. O coração dos realizadores está no lugar certo, mas não o cérebro. São essas escolhas que sabotam Paro Quando Quero de ser um grande filme. Apesar de suas qualidades formidáveis, sua mensagem não fica tão clara, e soterrado por muita ironia ele se perde no caminho, ficando interessante para estudo, mas não para rever.