Festival de Cinema Italiano: AMOR ETERNO (La Corrispondenza)


Sob a sombra de Cinema Paradiso

Todo cineasta busca fazer um filme de grande sucesso, mas quando isso acontece em proporções realmente grandes, torna-se um peso a ser carregado. Este é o caso do diretor italiano Giuseppe Tornatore.


Tornatore começou sua carreira dirigindo o filme Cinema Paradiso (1988), que lhe rendeu fama internacional e o colocou como um dos melhores cineastas do mundo. Depois disso, criou-se a expectativa de que faça outro filme tão bom quanto o primeiro, o que é praticamente impossível.


Mesmo não tendo repetido o êxito, passou a ter "carta branca" para dirigir os projetos que quer e com atores célebres de Hollywood. Vieram filmes como A Lenda do Pianista do Mar (1988), Malena (2000) e Baaria - A Porta do Vento (2009). Mas recentemente Estão todos Bem (2010) - com Robert De Niro - e O Melhor Lance (2013)- com Geoffrey Rush. Nenhum deles teve êxito parecido.


Em Amor Eterno, Tornatore - que também assina o roteiro - conta a história de Amy (Olga Kurylenko), uma dublê que vive um romance com seu ex-professor Edward (Jeremy Irons), homem casado que mora em outro país. Sempre conversam por Skype, até que um dia a jovem descobre que seu amante morreu antes mesmo de sua última conversa. A partir daí ela continua recebendo mensagens, e-mails, cartas, presentes, mas sem saber qual o mistério para isso.

O filme se concentra apenas nessa premissa e seus 116 minutos parecem durar três horas. Apesar do domínio do melodrama que Tornatore apresentou em Cinema Paradiso, aqui ele erra feio, fazendo um melodrama superficial que só agrada aos fãs de telenovelas. Até mesmo a trilha-sonora do mestre Enio Moricone torna-se cansativa e não apresenta nenhum tema realmente emocionante, como fez no filme de estreia do diretor ou em Era uma vez na América (Sergio Leone, 1984).


O elenco bem que se esforça, mas as limitações de Kurylenko parecem impedir com que Irons tenha um desempenho maior, ficando todos na caricatura, superficialidade.


O diretor parece errar cada vez mais a cada novo trabalho. Talvez devesse trabalhar com especialistas em roteiro, em vez de querer escrever sozinho todos os seus filmes. Tal como acontece com cantores que são compositores e com vários cineastas, com o passar do tempo fica difícil manter a qualidade do que escrevem sozinhos, seja por acomodação ou porque a criatividade vai se esgotando. Daí, a importância de se trabalhar com especialistas na escrita.

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