O HOMEM QUE VIU O INFINITO (The Man Who Knew Infinity)


O Infinito visto sem fórmulas decoradas

O Homem que viu o Infinito traz à tona questões muito profundas envolvendo um personagem real, sua cultura, conhecimento, misticismo, dom e humanidade, tendo na Matemática o "pano de fundo" para tudo isso.


Dirigido e escrito pelo estreante em longas Matthew Brown, somos apresentados à história verídica do matemático indiano Srinivasa Rāmānujan - ou simplesmente Rāmānujan -, um rapaz que desenvolve fórmulas e cálculos matemáticos de maneira autodidata.


De genialidade nata e sem formação acadêmica, Rāmānujan - interpretado com muita sensibilidade por Dev Patel - (Quem Quer Ser Um Milionário?, 2008) viaja para Trinity College (Cambridge) e conhece o reservado e não muito simpático professor G.H. Hardy, interpretado por Jeremy Irons (Batman vs Superman: A Origem da Justiça, 2016), seu mentor na academia

O filme é ambientado na Inglaterra contemporânea da Primeira Guerra Mundial. Estamos em 1913, e ao sermos apresentados ao universo do protagonista ficamos imadiatamente encantados com a Índia e seus costumes. A fotografia de Larry Smith (Calvário, 2014) retrata sutilmente - e sem folclorismos - as ruas, casas, animais sagrados (vacas e elefantes) e conexão humana daquele povo, o que é extremamente importante para o espectador compreender a psicologia divina da matemática desenvolvida por Rāmānujan.


Matthew Brown consegue trazer ao roteiro as idiossincrasias que contrapõem o sistema de crenças de seus dois personagens centrais: de um lado a mente científica e racionalista do irredutível professor Hardy; do outro, Rāmānujan e sua essência matemática, inseparável da conexão divina.


Não há dúvidas que existem mistérios não revelados que separam mundo terrestre e espiritual, por mais que as cabeças mais duras insistam em apresentar provas de que todo “i” precisa de um ponto. As separações são ilusões mundanas e tudo está conectado. Há uma lição aprendida por Hardy no 3º e derradeiro ato final do filme, que obviamente não revelarei. E só quem é fiel à sua real natureza está isento de fórmulas decoradas.

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